O kota Bonga foi o cabeça de cartaz no primeiro dia do Rock In Rio em Lisboa, no palco EDP Rock Street. Aos 75 anos, o cantor continua na esperança de levar a “Mariquinha” para Angola.

Depois dos guinensses Kimi Djabaté e dos Tabanka Djaz aquecerem o palco do EDP Rock Street, o mais velho Bonga subiu e mostrou porque continua a ser uma das maiores referências do semba fora de Angola. Na audiência, mesmo quem não sabia cantar ou simplesmente não conhecia as músicas, deixou-se levar pelo ritmo e ia abanando a cabeça.

FOTO: BANTUMEN/MIGUEL ROQUE

A música de Bonga é cantada e dançada por portugueses, angolanos e todos oriundos de países de língua portuguesa. Como já seria de esperar, antes das 19 horas já havia muita gente à espera da entrada do mais velho, que anunciou a sua chegada ao palco ao som do instrumental “Bonguinha”, muito conhecido pelo público angolano por entrar em vários anúncios publicitários.

É difícil perceber que músicas de Bonga o público não sabe cantar:

Ai
Pegaram aqui o currumba
E contaram sem saber
É aqui que turuco não tem
Para as mãos de qualquer um

“Currumba”, “Pracinha”, “Galinha Kassafa”, “Mama Lala”, “Muadiakime”, “Olhos Molhados”, “Mariquinha” e “Fruta de Vontade” levaram o público ao delírio. Não admira. São clássicos do artista, que passam há mais de três décadas nas rádios e televisões de toda lusofonia.

FOTO: BANTUMEN/MIGUEL ROQUE

Mais do que a sua música, o kota também deveria partilhar o segredo para não envelhecer. De uma vaidade indiscutível, a sua performance no palco faz inveja a qualquer jovem, sempre bem acompanhado pelas seus bailarinas que trazem uma corografia diferente para cada clássico do mais velho.

O último álbum de Bonga foi editado no final de 2016, Recados de fora, com 11 faixas musicais. Contudo, nenhuma das músicas que compõem o projeto foi tocada no festival do Rock.

O palco (África) EDP Rock Street vai receber ainda nos três dias que faltam Karlon, Baloji, Ferro Gaita, A’mosi Just a Label, Nástio Mosquito, DZZZZ Band, Moh! Kouyaté, Selma Uamusse, Batuk e Paulo Flores. Estes artistas vão dar ao festival ritmos como o Semba, kilapanga, funaná, coladeira, rumba, jazz, rock, afro-punk, kwaito e kuduro.