Como já falamos aqui várias vezes, a música africana já faz parte do mundo, é universal e não é indiferente a quem a ouve. Resultado disso, são as Kizombas que nos chegam da Ásia, os Kuduros que nos chegam da Europa, e as aulas de danças africanas à volta do globo, entre outras atividades que se movem ao redor da música quem vem muitas vezes dos bairros de lata de países africanos, como Angola e Cabo-Verde.

E assim, criou-se uma internacionalização de artistas africanos, dos velhos e novos artistas. Isso tudo para te explicar que nos dias que correm, não é propriamente necessário perceberes a letra da canção, basta sentires a vibe e o sentimento que ela te traz. E tens a Internet, onde é fácil descobrir tudo em segundos, até mesmo letras de canções africanas traduzidas.

Por falar em vibe, sabes quem são Os Tubarões? Se não sabes, não há problema, aqui vais conhecer um pouco do seu percurso, quem são, o que fazem e o legado que vão deixar.

A banda nasceu em 1969, Cabo-Verde ainda não era um país livre. A música feita por cabo-verdianos, era muda, sem espaço na liberdade. E só após a sua independência, a 5 de julho de 1975, é que a liberdade se fez gritar pelas dez ilhas. No ano seguinte com a entrada de Ildo Lobo, Os Tubarões gravaram os primeiros discos, Pepe Lopi e Tchon Di Morgado, altura em que a carreira da banda se fez notar na terra morabeza (amável).

Os Tubarões era composto por sete elementos: ‘Totó’ Silva (guitarra), Totinho (saxofone), Mário ‘Russo’ (baixo), Jorge Lima (percussão), Jorge Pimpas (bateria), Zeca Couto (Piano) e Ildo Lobo (vocalista).
São conhecidos pela qualidade de música que fazem e como representam bem Cabo-verde. A morna, coladeira e funaná são os estilos que mais os define, a banda teve muita importância musical no periodo de transição rumo à independência e democracia do país, cantavam amor e liberdade.
“Labanta braço, grita bo liberdade” (Levanta o braço, grita  à tua liberdade) uma das frases mais importantes da banda.

O grupo acabou por se separar em 1994, dando fim aos Tubarões e contavam com 9 álbuns, “Pepe Lopi e Tchon di Morgado” (1976), “Djonsinho Cabral”(1979), “Tabanca” (1980), “Tema para dois” (1982), “Os Tubarões” (1990), “Os Tubarões ao vivo” (1993) e “Porton d’nos Ilha” (1994), todos eles gravados por Lusafrica, União Lisboa, e Sons D’Africa.

Desde então que a música cabo-vediana perdeu um pouco da sua identidade, e o regresso da banda sempre foi esperado pela população. Após a separação, Ildo Lobo fez carreira a solo tendo gravado três discos, “Nós Morna” (1996), “Intelectual” (2001) e “Incondicional” (2004), editado depois da sua morte.

Em 2015, 20 anos depois, Os Tubarões voltaram aos palcos. Nos melhores palcos para recomeçar a carreira em Cabo-Verde, o Festival Gamboa, na Cidade da Praia, mas desta vez com Albertino Évora, que substituiu Ildo Lobo.

Desde então que não têm parado. Os Tubarões atuaram em Lisboa, no Tivoli BBVA, no dia 6 de abril de 2015 e no dia 29 de maio no festival Rotas & Rituais, no cinema São Jorge, onde esgotaram os bilhetes e homenagearam Ildo Lobo. Em 2017, Os Tubarões voltaram a actuar em Portugal nos festivais Beja na Rua e Sol da Caparica.

A qualidade da música mantem-se, em setembro podes vê-los e ouvi-los no festival Milhões de Festa, em Barcelos, Portugal.

Faz uma pesquisa sobre Os Tubarões e ouve abaixo o primeiro disco gravado da banda: