Não é um assunto novo e já falamos disso aqui. No dia 15 de junho deste ano foi aprovada pela Assembleia da República portuguesa a utilização de canábis para fins medicinais, apenas, o auto-cultivo ainda é proibido.

Mas o que é novo é que o canabidiol, um dos ingredientes mais importantes da planta, ajudará (talvez, segundo estudo) a prolongar a vida de doentes que sofram de cancro pancreático.

Como tudo, para descobrir a causa ou cura de algo são necessários vários estudos e experiências até chegar a uma conclusão. E a canábis é um dos assuntos mais problemáticos no que toca à discussão sobre os seus efeitos na saúde.

Da Universidade Queen Mary, em Londres, no Reino Unido, chega-nos um estudo feito por um grupo de cientistas liderado pelo professor Marco Falasca. Foi apurado que os ratos submetidos a quimioterapia, para o tratamento daquela patologia, apresentaram uma taxa de sobrevivência três vezes maior, quando lhes foi ao mesmo tempo administrado extrato de canábis, conhecido por canabidiol.

Como já foi referido acima, canabidiol é um dos principais componentes da canábis, mas ao invés do tetrahidrocanabinol (THC) não apresenta efeitos psicoativos que provocam a sensação de se estar pedrado.

Em 2012, o cancro matava mais de 20 mil pessoas por ano e mais de 40 mil novos casos de cancro iam surgindo em Portugal. Segundo Sérgio Barroso, director do Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora: “a maioria dos cancros, se for detectada de forma precoce, é tratável e curável. Só se forem detectados numa fase muito avançada é que as coisas são mais complicadas e muitos deles tornam-se incuráveis.”

O cancro pancreático está entre os cancros mais mortais, e as taxas de sobrevivência têm-se mantido quase idênticas nos últimos 40 anos. O estudo consistiu no impacto do canabidiol em ratos com a doença, que foram recebendo paralelamente os típicos tratamentos de quimioterapia, à base de gemcitabina. A nova pesquisa foi publicada no periódico científico Oncogene.

Os roedores que foram tratados com essa combinação de drogas aumentaram consideravelmente a taxa de sobrevivência para os 56 dias. Já os ratos que não receberam qualquer tipo de tratamento ou medicamento, tinham apenas 20 dias de vida. Os animais  que apenas fizeram quimioterapia viveram em média 23,5 dias.

O professor Falasca concluiu que: “O canabidiol já foi aprovado para ser utilizado clinicamente, o que significa que em breve poderá ser usado em ensaios clínicos em pessoas. Se os mesmos efeitos se reproduzirem nos humanos, esta substância poderá então ser utilizada de imediato para combater o cancro do pâncreas”.