Vem de Cabo-Verde, passa por Angola, Praia, Luanda, Nova Iorque, Berlim, Londres e depois encontra-nos em Portugal. É essa a viagem que o novo álbum do Dino D’Santiago fez para nos trazer o que de melhor existe, a música na sua plenitude, com uma mistura de culturas e vibrações.

Dançamos ao som do Funaná mais moderno, de uma Morna mais convidativa, de uma Kisomba mais dançante e de um Afro-House mais electrónico, “Mundu Nôbu” é um profuso rítmico entre a língua portuguesa e o crioulo badiu (dialecto do crioulo cabo-verdiano falado na ilha de Santiago, Cabo-Verde) que celebra a vida e celebra a união.

Dino, canta Cabo-Verde, canta Lisboa, canta num mundo novo e canta a “Africa di Nôs” (nossa África). A produção dessa junção de músicas é de Seiji e Kalaf Epalanga, produtor executivo do álbum, nele assinam também a dupla de produtores Branko & PEDRO da Enchufada, figuras incontornáveis da música de dança global na cidade que é invocada no hino “Nova Lisboa”.

“Nôs Funana” traz os bons ventos da Ilha de Santiago, Cabo-Verde, como o testemunho dos seus representantes, Bino Branco dos Ferro Gaita. O nova-iorquino Rusty Santos, sentiu-se inspirado pela maravilha da terra morabeza e assinou a co-produção em “Nôs Funaná”, que não é um Funaná normal, é mais lento, com olhar sobre o mar, as crianças a correr, as ruas cheias de movimento, um sol de invejar, e sorrisos que contagiam, dão início à música.

“Fidjo de Poilon” é uma excitante Kizomba inesperada que nos faz levantar de imediato, faz-nos perder o controlo dos pés, do espaço e tempo, é a música que dança connosco. Com Loony Jonhson ouvimos “Nôs Crença”, uma mistura que vagueia entre a morna e o pop, que nos faz acreditar que se perdemos a crença, não somos ninguém.

Quando falamos de artistas talentosos temos claramente de mencionar que Dino D’Santiago trouxe neste album a doçura de Cesária Évora, a balada de Bana e o Funaná dos Ferro Gaita e de Zeca Nha Reinalda, trouxe Cabo-Verde para o mundo, uma aproximação da tradição à música electrónica de apelo global.

Mondu Nôbu, é um álbum intemporal cantado em crioulo com sabor a cachupa, cuscuz di nôs bedja (nossa avó, traduzido para português) e com aperitivos portugueses que caracterizam a Lisboa moderna. Mundu Nôbu é o álbum onde cabe toda a vida de Dino.