Não tem terra, anda por aqui e por ali. A avó foi quem o criou – não teve pai -, partiu rumo a Cabo-Verde para se descobrir a ele mesmo e às suas origens e saber quem foi o seu progenitor. É esta história de Miguel Moreira em Djon África, uma longa-metragem de João Miller Guerra e Filipa Reis, um retrato da sua vida que estreou esta quarta-feira nos cinemas, em Portugal.

A BANTUMEN falou com Djon África, Miguel, John Tibars, Jack Ladidadi, Jamal Sensi Mango e  Wadada: vários pseudónimos dentro de um homem só, “cada um com a sua missão, mas todos com o mesmo objetivo”.

Cenas do filme - Djon África
Cenas do filme – Djon África

Miguel Moreira não sabe de onde vem, sabe de onde nasceu e sabe quem o criou: a sua avó em Lisboa. Vai se descobrindo perante as experiências da vida e com elas vai crescendo, sem pai. “Meu pai foi expulso de Portugal e no período de 10 anos não poderia voltar. A família tentou encontrar-se comigo mas quem me encontrou foi a minha irmã mais velha, quem o meu pai também não conhece,” confessa Miguel.

O crioulo é a única ligação que tem com Cabo-Verde, a terra da Morna, do Funaná e da diva dos pés descalços, Cesária Évora. As cenas do filme traçam a sua caminhada de Portugal até ao país das dez ilhas vulcânicas de Barlavento e Sotavento, no Oceano Atlântico.

Cenas do filme - Djon África
Cenas do filme – Djon África

Ilha de Santiago, São Vicente, São Nicolau e Santo Antão eram os destinos que aguardavam a sua chegada, onde tudo poderia vir a fazer sentido. Numa das cenas do filme é-lhe dito: “és parecido com o teu pai”, Miguel espantado pergunta “tem uma foto dele aí para eu ver?”, nunca viu o homem que lhe deu a vida, e nada sabe acerca dos seus.

O encontro de ambos é importante para Miguel, só sabendo de onde veio, poderá descobrir como seguir em frente. Djon admite porém que: “Nunca senti necessidade de ter uma figura paterna. As mulheres da minha vida sempre transbordaram atitudes que fizeram de mim o homem que sou. Os homens presentes na minha família foram também os modelos a seguir dentro da minha comunidade.”

Djon África acaba por ser um olhar de dentro para fora da vida de muitos emigrantes e os seus filhos. É um filme de uma luta de quem não conhece a sua pátria, “não descobri as minhas origens, fui apenas confirmá-las. Quis saber o porquê de eu ser assim tão caboverdiano na terra dos outros” acrescenta.

Cenas do filme - Djon África
Cenas do filme – Djon África

Miguel Moreira não tem um curso de ator ou de teatro, sabe cantar [ é rapper ], aprendeu tudo com o que a vida lhe continua a dar.

Em 2010, em volta da sua vida no bairro nasceu “Li Ké Terra“. Em Djon África vê-se um ator mais maduro, o fato de contracenar com atores profissionais e com pessoas que nunca fizeram cinema acabaram por dar mais “credibilidade”  a sua personagem.

Miguel quer um Cabo-Verde mais justo assim como o mundo, tem um olhar positivo quanto ao cinema, quer estar à frente e atrás da câmaras em prol da arte africana, da luta de Amilcar Cabral e da força das suas gentes.

A busca por si mesmo, a conexão do homem com o seu lugar de origem, os elos que a sociedade atual cria com o passado, conexões familiares perdidas, uma mistura entre o certo e o errado e os vários enganos é o que o espetador pode encontrar em Djon África.

Vê abaixo o trailer e sabe aqui em que cinemas podes ver a longa metragem: