Tudo o que tens de saber sobre Cabo Verde no Mundial 2026

June 4, 2026
Cabo Verde no Mundial 2026
©FIFA

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Cabo Verde tem 4.033 quilómetros quadrados, menos de 600 mil habitantes residentes e, este verão, vai jogar o Campeonato do Mundo de Futebol pela primeira vez na história. A 15 de junho, em Atlanta, os Tubarões Azuis defrontam a Espanha - campeã europeia e uma das favoritas ao título - naquele que será o maior momento desportivo de um país que nunca desistiu de sonhar grande.


O feito aconteceu a 13 de outubro de 2025, no Estádio Nacional, na Praia, com uma vitória por 3-0 sobre Eswatini. Cabo Verde fechou a qualificação africana em primeiro lugar no Grupo D, com 23 pontos, deixando para trás os Camarões - oito vezes presentes em Mundiais, mais do que qualquer outro país africano. Não foi pela repescagem. Foi como líder de grupo, sem hesitações.


A festa extravasou o estádio. Cabo Verde deu folga aos funcionários públicos para acompanharem o jogo. E a celebração chegou com uma camada extra de significado: a qualificação aconteceu no ano dos 50 anos da independência do país.


Uma seleção feita de ilhas e diáspora


Esta equipa não vem só de Cabo Verde. Metade dos titulares que selaram a qualificação nasceu fora do arquipélago. Steven Moreira e Willy Semedo são franceses. Jamiro Monteiro e Dailon Livramento nasceram na Holanda - Livramento em Roterdão, cidade com uma das maiores comunidades cabo-verdianas da Europa. Roberto "Pico" Lopes é irlandês. O treinador Bubista chegou a convocar atletas de Portugal, França, Suécia, Noruega, Estados Unidos e Irlanda. São os filhos e netos da diáspora que fazem parte desta seleção, e isso é, em si mesmo, uma declaração sobre o que Cabo Verde é: um país espalhado pelo mundo.


O selecionador Pedro Leitão Brito - Bubista, nome que vem do crioulo para Boa Vista, ilha onde nasceu - foi claro sobre isso: "Todos falam crioulo, é a língua oficial da seleção. Para quem fala pouco, é normal tentar falar, demonstra o espírito de caboverdianidade." O crioulo é, literalmente, o idioma do balneário.


Bubista jogou pela seleção durante anos, chegou a capitão durante 11 anos, e depois de se reformar tornou-se treinador. Assumiu o comando da equipa principal em 2020. Levou Cabo Verde a duas fases finais da Taça das Nações Africanas consecutivas, com passagem aos quartos-de-final nas duas. Em 2025 foi eleito Melhor Treinador Africano do Ano pela CAF.


É um homem que conhece este projeto por dentro. Que esperou este momento desde que tinha botas nos pés.


A geração de ouro


A 23 de maio de 2026, o Presidente da República, José Maria Neves, condecorou a seleção no Palácio da Presidência, na Praia, numa cerimónia que reuniu jogadores, equipa técnica, dirigentes e a Federação Cabo-verdiana de Futebol. Chamou-lhes a "geração de ouro" do futebol cabo-verdiano e considerou os Tubarões Azuis "o maior cartão de visita de Cabo Verde".


Na lista dos 26 convocados estão nomes que já têm história nos Tubarões Azuis - Vozinha, Ryan Mendes, Garry Rodrigues, Stopira - e uma geração mais nova que chegou para ficar: Dailon Livramento, Hélio Varela, Gilson Benchimol, Sidny Lopes Cabral, Logan Costa. Ryan Mendes, capitão, falou em nome do grupo na cerimónia de condecoração: prometeu "muita entrega e muito amor" e garantiu que a seleção vai representar Cabo Verde "com responsabilidade".


O grupo mais difícil, o maior palco


Cabo Verde está no Grupo H com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Três países com histórico de Mundiais, medalhas e estrelas. Mas os Tubarões Azuis já venceram os Camarões quando ninguém esperava. Já chegaram aos quartos-de-final da CAN na primeira vez que lá foram, em 2013. Em 2022 estiveram a um jogo de se qualificarem para o Qatar.


A estreia é a 15 de junho, frente à Espanha, em Atlanta. Depois segue-se o Uruguai, a 21 de junho, em Miami, e a Arábia Saudita, a 26 de junho, em Houston. Os três jogos nos Estados Unidos - país com uma das maiores comunidades cabo-verdianas do mundo.


A preparação já começou. No passado dia 31 de maio, os Tubarões Azuis venceram a Sérvia por 3-0 no Estádio do Restelo, em Lisboa, com golos de Kevin Pina, Laros Duarte e Gilson Benchimol, perante 18 mil adeptos que transformaram o estádio numa festa cabo-verdiana. Antes da estreia oficial, ainda há um amigável frente às Bermudas, no estado de Connecticut.


Cabo Verde é a terceira menor nação de sempre a qualificar-se para um Mundial, a seguir a Curaçau e à Islândia. Mas o tamanho nunca foi o critério. Não foi em 1975. Não é agora.

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