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O Colourful Sundays nasceu em Luanda de uma vontade simples, juntar pessoas, ouvir música, dançar, conhecer gente nova e celebrar cultura. Entretanto, arte plástica, gastronomia, moda, bem-estar e outras formas de expressão foram entrando no mesmo espaço, numa tentativa de criar experiências que não coubessem numa única definição de cultura.
Em 2021, quando a BANTUMEN acompanhou uma das primeiras edições em Luanda, o Colourful Sundays ainda era descrito como um conceito em fase embrionária, num formato pop-up e nómada que mudava de localização a cada edição, cruzando DJs, artistas plásticos e gastronomia numa só programação.
Cinco anos depois, o projeto chegou a Lisboa, e trouxe consigo uma pergunta que não tinha resposta fácil, como se transporta uma experiência nascida num determinado contexto para uma cidade onde a própria ideia de comunidade tem outras dimensões? A próxima edição acontece a 6 de setembro, no Rooftop Lounge, em Lisboa, e terá o laranja como dress code.
Para Ed Cubata, um dos elementos da equipa, a resposta passa menos por reproduzir Luanda em Lisboa e mais por perceber aquilo que as duas cidades ainda têm em comum: a energia, a espontaneidade, a forma como as pessoas se relacionam, a vontade de estarem juntas. Lisboa acrescenta, contudo, uma pluralidade própria, é uma cidade internacional onde diferentes nacionalidades, culturas e referências convivem e cruzam diariamente, e essa diversidade acabou por influenciar a forma como o Colourful Sundays apresenta-se hoje. Segundo a organização, além de receber pessoas diferentes no mesmo espaço, a ambição é também fazê-las sentir que ali pertencem. "Não queremos que as pessoas se sintam apenas bem-vindas. Queremos que sintam que fazem parte", explica Ed.

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A cor tornou-se uma espécie de idioma próprio do projeto, variando a cada edição e, a partir dela, constrói-se um universo visual e sensorial. Uma ideia que já vinha das primeiras edições em Luanda, quando o vermelho marcou a estreia, seguido do laranja e, mais tarde, do azul, numa lógica que permitia mudar o ambiente sem perder a identidade do evento. Hoje, essa característica continua a funcionar como uma escolha estética, como também uma forma de contar histórias, criar estados de espírito e dar a cada edição uma identidade própria, e também de convidar o público a participar na construção da experiência. Não se trata só de ir a uma festa, há uma cor para vestir, uma atmosfera para habitar e um conjunto de referências que ajudam a transformar o espaço durante algumas horas.
Há música, verão, amigos, bebidas e aquela transição entre o fim da tarde e o início da noite, o suficiente para parecer mais um dos muitos sunsets que enchem as agendas de Lisboa nos meses quentes. Ed discorda. "Para mim, um sunset acaba quando o sol desaparece. O Colourful Sundays começa muitas vezes aí (…) Não estamos necessariamente a tentar criar o evento mais cheio, o mais barulhento ou o mais 'cool'", diz.
A ideia é que alguém entre sem conhecer ninguém e saia de lá com uma história, que seja possível estar no meio de várias pessoas e ainda assim sentir que se está exatamente no lugar certo. É uma proposta que faz sentido numa cidade como Lisboa, onde festas, encontros e conceitos semelhantes disputam constantemente a atenção de um público habituado a procurar o que é novo. O Colourful Sundays parece querer outra coisa, não apenas criar um evento, mas criar uma comunidade à volta dele, e é isso que acontece quando diferentes pessoas decidem ocupar o mesmo espaço, levar consigo as suas referências e, durante algumas horas, construir juntas algo que não existia antes e um sentido de comunidade que vai além da diversão.
"É uma comunidade que já existe, mas que sentimos estar bastante dispersa em Lisboa. O Colourful Sundays procura ser esse ponto de encontro para pessoas curiosas, criativas e muito ligadas à arte, moda, música e cultura internacional, pessoas que valorizam experiências com identidade e que gostam de descobrir e cruzar referências diferentes. É um público bastante diverso em idade, nacionalidade, background e estilo de vida, mas que partilha uma mesma abertura e curiosidade pelo mundo."
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Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.
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