Djassi Africa leva turismo, saúde e inovação à Web Summit

November 15, 2025
djassi africa web summit
Dulce Gomes, fundadora da ShftNight ©️ BANTUMEN

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A presença da Djassi Africa na Web Summit volta a afirmar-se como um gesto de estratégia e visão, sobretudo num momento em que o ecossistema africano de inovação procura consolidar a sua posição no panorama global.

A organização, comprometida com o impacto social e económico, continua a defender que a tecnologia, o empreendedorismo e a criatividade são pilares indispensáveis para desbloquear o potencial da próxima geração de criadores africanos e afrodescendentes. Ao identificar e apoiar startups escaláveis, que utilizem tecnologia como ferramenta de desenvolvimento sustentável, a empresa liderada por Fernando e Rudolphe Cabral procura gerar valor a longo prazo e reforçar o papel de África no desenho da economia digital mundial.

No palco do Web Summit, esta missão ganha forma por meio de fundadores e ideias que revelam tanto a diversidade do continente quanto a capacidade real de propor soluções inovadoras para problemas persistentes. Da tecnologia ao turismo sustentável, da economia criativa à saúde digital, surge um conjunto de empreendedores que vê na inovação uma resposta tangível aos desafios das suas comunidades e, simultaneamente, uma oportunidade de projeção internacional.

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Maaip: uma plataforma para devolver autonomia e valor económico ao turismo africano

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Any Keila Pereira, fundadora da Maaip ©️ BANTUMEN

A Maaip, fundada por Any Keila Pereira, nasce da convicção de que o turismo africano perde demasiado valor para intermediários internacionais e da perceção de que existe um “fosso de informação” que mantém invisíveis muitas experiências locais. A empreendedora sublinha que o objetivo passa por garantir que o valor económico gerado pelo turismo chega, de facto, a quem constrói as experiências. Como explica, “o nosso objetivo é dar visibilidade às ofertas locais, permitindo que os viajantes encontrem e reservem diretamente com operadores africanos”, contrariando a ideia, ainda comum, de que pagar mais às agências internacionais beneficia os guias no terreno.

A plataforma utiliza inteligência artificial para organizar e recomendar experiências autênticas, respondendo à fragmentação do setor e à dificuldade que muitos viajantes enfrentam ao procurar vivências culturais verdadeiramente locais. A Maaip propõe, assim, um modelo que devolve autonomia aos turistas e reforça a sustentabilidade económica das comunidades africanas, ao mesmo tempo que promove uma relação mais direta e transparente entre quem viaja e quem recebe.

A participação na Web Summit teve como propósito não apenas apresentar a tecnologia, mas também estimular conversas e criar novas ligações. Any reforça que este ano procurou sobretudo “dar visibilidade ao que estamos a construir e incentivar as pessoas a interagir com a nossa plataforma”, destacando que as conexões criadas vão além da lógica de investimento financeiro, estendendo-se a parcerias estratégicas que fortalecem o projeto no longo prazo. Essa abertura para dialogar com outros criadores tecnológicos e identificar soluções complementares revela uma visão de crescimento que transcende a lógica estritamente comercial.

Ao posicionar-se como solução para um turismo mais justo, transparente e inclusivo, a Maaip desenha um novo paradigma para o setor: um turismo que não só dá a conhecer a África, como também devolve ao próprio continente o valor que lhe tem sido sistematicamente retirado.

ShftNight: tecnologia para proteger quem cuida e antecipar riscos sistémicos na saúde

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Dulce Gomes, fundadora da ShftNight ©️ BANTUMEN

Noutro extremo do espectro da inovação apresentada pela Djassi Africa está a ShftNight, criada por Dulce Gomes, que procura responder à sobrecarga estrutural que afeta profissionais de saúde em todo o mundo. A empreendedora partiu da observação de um fenómeno que se agravou desde 2020 — turnos exaustivos, privação de sono e desgaste prolongado — para desenvolver uma ferramenta que atua preventivamente, monitorizando padrões de comportamento e de bem-estar laboral.

Dulce resume a essência do projeto ao afirmar que a aplicação “cria pontes entre os profissionais e as instituições de saúde, ao mesmo tempo que melhora o serviço prestado aos pacientes”, o que traduz o propósito de introduzir uma lógica de cuidado que contemple também quem trabalha na linha da frente. A ShftNight recorre à inteligência artificial para identificar sinais precoces de fadiga extrema, burnout e desequilíbrios associados ao trabalho contínuo, fornecendo métricas que podem apoiar decisões de gestão mais responsáveis.

A evidência científica reforça a necessidade de soluções como esta: a perturbação do ritmo circadiano, associada ao trabalho noturno prolongado, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e oncológicas, o que sustenta a urgência de instrumentos preventivos. É nesse ponto que a aplicação se distingue, ao propor uma abordagem sistémica que não se limita a tratar consequências, mas procura antecipar riscos.

Durante a Web Summit, Dulce concentrou-se em evoluir o produto e em mapear novas parcerias. Nas suas palavras, a equipa procura colaborar com instituições públicas e seguradoras que possam integrar a solução e utilizá-la “para prevenir ausências e problemas decorrentes do excesso de trabalho”. O interesse recebido de entidades internacionais confirma a natureza global do problema e revela o potencial da ShftNight para afirmar-se numa área onde a inovação tecnológica e a saúde pública ainda têm muito espaço por explorar.

Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.

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