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Passou um ano desde a última conversa com Djei Furtado, numa indústria da música em que, todas as semanas, chegam novos singles, EPs e álbuns prontos a consumir. Nesse tempo, o artista dedicou-se a ajustar ideias, alinhar objetivos e aperfeiçoar o talento.
Hoje, quem se senta à conversa com a BANTUMEN encontra um artista transformado em relação ao jovem promissor que chamou a atenção no panorama urbano. O olhar e a voz revelam uma maturidade que a constância e o trabalho parecem ter trazido. Djei Furtado está mais seguro do seu caminho e prestes a dar um passo importante na carreira: o lançamento do primeiro álbum de estúdio, intitulado TFS (Trap Funk Street).
Se a maturidade é o combustível, a consistência tem sido o motor. Djei não esconde que este processo evolutivo não aconteceu do nada. Ao seu lado tem estado uma rede de apoio, a começar pelos amigos, Afrozone e o produtor Artur, que participou no processo de aperfeiçoamento da sua identidade sonora.
“Por essência, já somos todos diferentes. É tirar aprendizado do que nos rodeia e adicionar o nosso toque"
Djei Furtado

©Nuno Silva/BANTUMEN
O título do projeto, TFS, sintetiza uma proposta distante da fórmula habitual. O "Street" de Djei Furtado afasta-se do gangsta rap tradicional e das narrativas de violência, para se focar na vivência, no convívio e na celebração do espaço urbano. "Street é street, mas não num sentido de gangsta. É estarmos no ghetto, mas sempre a conviver de uma forma nice, na boa energia", explica o artista.
Vivendo em Portugal, a mistura cultural tornou-se parte de um quotidiano assente numa troca constante com as comunidades brasileira, guineense e cabo-verdiana. Essa mistura refletiu-se diretamente no estúdio, num álbum que reúne o funk brasileiro e a matriz africana com a vivência da periferia lisboeta. "Neste álbum misturei músicas e culturas de África e também do Brasil. Vivo com pessoas dessas culturas no meu dia a dia. Aprendo com elas. O álbum é o reflexo da vibe em que estou agora."
Temas como "Bombaclatt" 1 e 2 já deixavam antever esta caminhada, e "Bo Ta Matam", o tema mais recente, funciona como ponte para as sonoridades que TFS reúne. Numa altura em que o mercado musical estimula muitos artistas a seguir algoritmos e a replicar a "fórmula mágica" do momento, Djei faz uma escolha consciente, a da positividade. Para o rapper e cantor, a resposta para a originalidade é simples.
"O erro está quando tentamos replicar a fórmula mágica, tentar fazer o que está a bater ou o que os outros estão a fazer só pelos resultados. Eu não faço isso. Para mim é bem simples: é só seres tu. Por essência, já somos todos diferentes. É tirar aprendizado do que nos rodeia e adicionar o nosso toque."
Num género musical onde historicamente a rivalidade, muitas vezes, ocupa o centro das atenções, o artista faz uma escolha consciente pela positividade. Inspirado pela força congregadora da arte, o artista recusa o conflito desnecessário. A sua música é pensada para unir, para celebrar e para trazer luz a quem a ouve. "A música para mim é união, é festa, é energia positiva. Se podemos estar de boa, porque é que vamos estar em confusões? Há vários caminhos que podemos escolher, é o livre arbítrio. Eu escolho sempre a união".
Apesar do crescimento, as raízes permanecem uma referência constante. Djeison Furtado não esquece de onde vem, da Assomada, em Cabo Verde, à Serra das Minas, na Linha de Sintra, onde encontrou o acolhimento que hoje chama de casa. A sua história é a de tantos jovens da diáspora que escolhem definir-se pelo trabalho, independentemente das circunstâncias.
TFS marca a estreia em álbum e afirma um artista que encontrou a sua voz, sem medo de usá-la para espalhar boas energias. Depois de um ano de espera, chega agora o momento de Djei Furtado apresentar esse trabalho ao público.
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