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Ed Rodrigues tem vindo a afirmar-se como um dos novos nomes do entretenimento digital angolano. Ator, cantor e criador de conteúdo, é hoje considerado uma das vozes mais autênticas e populares do entretenimento, com uma relevância construída a partir da observação atenta do quotidiano e da capacidade de transformá-lo em narrativa cultural.
Nos seus vídeos, o quotidiano angolano surge sem filtros. As relações familiares, os costumes, a linguagem popular, as ambições, as contradições e as desigualdades sociais são apresentadas com simplicidade, o que leva a uma identificação imediata com o público, sobretudo com as gerações mais jovens e com a diáspora.
A história de Ed Rodrigues começa na Petrangol, um bairro urbano da capital, onde a vida acontece à vista de todos. Crescer nesse contexto despertou-lhe, desde cedo, um olhar atento para as pessoas, para as conversas e para as contradições humanas. Ainda criança, integrou um grupo de teatro da igreja frequentada pela família, espaço onde aprendeu a improvisar e a dar corpo cénico às situações que observava no dia a dia.

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“Crio conteúdo que me representa e que conversa com o meu público, mas também entendo como as plataformas funcionam"
Ed Rodrigues
Antes de se tornar uma figura conhecida nas redes sociais, Ed já era ligado às artes e à comunicação. Fascinado por programas como Art Attack, passava horas a recriar objectos e cenários com papelão. Ao mesmo tempo, consumia vídeos no computador do tio, recém-chegado da Holanda, interessando-se sobretudo pelos bastidores das produções. Esse contacto precoce com a criação audiovisual alimentou o sonho de seguir Comunicação Social e trabalhar em televisão.
Quando decidiu apostar no conteúdo digital, a escolha deixou de ser encarada como hobbie e abriu caminho à valorização de competências já adquiridas. Antes das redes sociais, Ed produzia videoclipes, cantava e realizava os seus próprios vídeos, alguns dos quais chegaram a ser exibidos em canais como a Afromusic. Entrou no universo digital com a consciência de que a criação de conteúdo podia ser profissão e gerar impacto real.
No TikTok, conta actualmente com cerca de 218 mil seguidores, além de uma presença consistente no Instagram, onde os seus vídeos registam milhares de interações e partilhas. Mais do que números, o seu crescimento assenta numa comunidade construída a partir da credibilidade e do engajamento orgânico.
A construção das personagens resulta de uma combinação entre intuição artística e observação social. Algumas nascem de forma espontânea; outras surgem de histórias reais que escuta no seu círculo próximo. No vídeo Antes das Dez, por exemplo, a cena passada numa morgue foi inspirada num relato da sua tia, médica. A partir desse ponto, Ed construiu uma narrativa mais ampla sobre vaidade, ambição, desigualdade, relações familiares e a ilusão do sucesso material.

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“A música permite-me dizer coisas que o humor não diz"
Ed Rodrigues
Para o criador, o equilíbrio entre estratégia e essência é fundamental. “Crio conteúdo que me representa e que conversa com o meu público, mas também entendo como as plataformas funcionam. O segredo é entregar valor real, provocar emoções e contar histórias que prendam a atenção”, explica.
Além do humor, tem vindo a afirmar-se também na música. A canção Antes das 10 confirma a sua versatilidade artística e revela outra dimensão da sua narrativa. “A música permite-me dizer coisas que o humor não diz: explorar emoções e nuances de forma mais direta, mantendo sempre a experiência humana”, afirma.
Como ator, destaca-se pela capacidade de interpretar múltiplas personagens, conferindo dimensão teatral e social aos seus conteúdos digitais. Essa abordagem faz com que o seu trabalho ultrapasse o rótulo de entretenimento e posiciona-o como cronista visual da sociedade angolana contemporânea.
A multiplicidade de competências fez com que algumas marcas reconhecessem que além de criador de conteúdo, Ed era também um videomaker com visão estética e narrativa. A partir dái, os projetos passaram a nascer com maior responsabilidade e expectativa, e os cachês acompanharam o crescimento do impacto e da complexidade dos trabalhos, com destaque para uma campanha realizada para uma empresa de tecnologia, considerada pelo próprio como um marco profissional.
"Sempre que começo um projeto, penso em mostrar uma Angola viva, criativa e cheia de histórias reais"
Ed Rodrigues
A primeira empresa a acreditar no seu alcance e autenticidade foi o restaurante Cerrado, numa parceria que surgiu de forma espontânea e baseada na credibilidade e reputação construídas. Desde então, tem colaborado com várias marcas, mantendo sempre a identidade criativa. Demonstra um carinho especial pelo setor da restauração, onde sente maior liberdade artística.
Em Novembro de 2024, foi distinguido como Melhor Criador de Conteúdo do Ano nos Prémios Dipanda, tendo sido o mais votado em todas as categorias. Para o criador, o prémio não o define, mas reforça o caminho que vem a ser construído.
“É uma honra e também uma responsabilidade enorme. Sempre que começo um projeto, penso em mostrar uma Angola viva, criativa e cheia de histórias reais, para que os manos da diáspora sintam essa conexão com a nossa cultura”, sublinha.
Reconhecido por muitos como “o influencer digital de Angola”, Ed Rodrigues representa uma nova geração de criadores que utilizam as plataformas digitais para refletir sobre cultura, humor e identidade. Através da sua arte, desafia estereótipos e contribui para a valorização da narrativa angolana no espaço digital.
Em 2025, foi distinguido pela Powerlist BANTUMEN 100 como uma das 100 personalidades negras mais influentes da lusofonia ao lado de nomes como Plutónio, Eva Cruzeiro e Valete, num reconhecimento que sublinha o impacto do seu percurso no espaço cultural e mediático lusófono.
Hoje, entre o humor, a música e a interpretação, Ed Rodrigues continua a construir uma linguagem própria, onde o riso convive com a crítica social e a memória coletiva. Para lá das tendências, Ed tem criado um percurso assente na observação, na escuta e na capacidade de devolver ao público histórias reconhecíveis, enraizadas no quotidiano angolano e pensadas para circular num espaço digital cada vez mais global.
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