Onde encontrar gastronomia são-tomense na Grande Lisboa

June 29, 2026
gastronomia são-tomense Grande Lisboa
Calúlú | DR

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A gastronomia são-tomense conta a história do arquipélago a partir do mar, da terra e das roças. Feita de peixe, banana-pão, fruta-pão, mandioca, óleo de palma, folhas aromáticas, cacau, café e saberes transmitidos à volta da panela, é uma cozinha marcada pela geografia tropical de São Tomé e Príncipe, país insular localizado no Golfo da Guiné, composto por duas ilhas principais e vários ilhéus. O arquipélago tem 1.001 km² e uma população estimada em 209.607 habitantes, com cerca de 95% concentrados na ilha de São Tomé.


Na mesa, essa história aparece em pratos como calúlú, kisacá, feijão à moda da terra, soô de matabala, fruta-pão com peixe salgado, pirão de farinha de mandioca, polvo, pastéis de matabala, molho no fogo, azagoa e bobofito. O calúlú, um dos pratos mais reconhecidos, pode ser feito com peixe fumado, como andala, voador, atum ou fulu-fulu, mas também com carne, galinha, camarão do rio ou búzio, acompanhado por ngú de banana, arroz, fúba ou farinha de mandioca. A banana-pão e a fruta-pão ajudam a explicar uma parte importante dessa cozinha, surgindo cozidas, fritas ou assadas como acompanhamento de peixe, carne e outros pratos tradicionais.


Quando esta cozinha atravessa o mar e se instala na Grande Lisboa, chega como memória, encontro e uma forma de manter viva uma relação com a terra. Em Portugal, a comunidade são-tomense tem uma presença expressiva, com cerca de 40.112 cidadãos.


É a partir dessa relação que reunimos algumas casas onde se pode provar gastronomia são-tomense na Grande Lisboa. Do Cantinho da Nonô ao Cantinho da Ameixoeira, passando pelo Sabores da Imberenta e pelo Tita & Mamã Preta, estes restaurantes ajudam a manter viva uma herança feita de sabores, memórias e formas de acolhimento. Para muitos são-tomenses, são lugares onde se mata saudade. Para quem não conhece a gastronomia do arquipélago, são portas de entrada para uma cozinha ainda pouco presente nos roteiros mais convencionais da cidade.


Cantinho da Nonô


Na Damaia, o Cantinho da Nonô é uma das casas mais reconhecidas quando se fala de comida são-tomense na Grande Lisboa. O restaurante leva o nome de Eleonora Carlota, conhecida por todos como Nonô, são-tomense que chegou a Portugal ainda adolescente e que, antes de se afirmar na restauração, teve um percurso ligado ao atletismo, à animação turística e ao trabalho comunitário.


A casa abriu pouco antes da pandemia e resistiu a esse primeiro impacto com entregas, adaptação e uma relação muito próxima com a comunidade. Hoje, apresenta uma ementa em que a cozinha são-tomense convive com outras referências africanas e lusófonas. Entre os pratos destacados estão o calúlú de peixe, o peixe andala grelhado com banana frita, o molho de polvo à moda de São Tomé, o búzio da terra e a tábua Terra-Mar.


Mas o Cantinho da Nonô é também um espaço onde a comida se cruza com cuidado, presença e solidariedade. A própria trajetória de Nonô, entre o restaurante, a Associação Esperança Nonô e o trabalho de apoio à comunidade, ajuda a explicar por que razão esta casa se tornou mais do que um lugar para almoçar ou jantar.


Onde: Rua Mouzinho de Albuquerque, 14A, Damaia, Amadora.
Quando ir: todos os dias, das 12h às 22h, segundo a informação pública mais recente do restaurante. Confirmar antes de ir.


Cantinho da Ameixoeira


No Largo do Terreiro, na Ameixoeira Velha, o Cantinho da Ameixoeira foi fundado por Felizardo e Dulce, de São Tomé e Príncipe, e carrega essa ligação no ambiente familiar, nas imagens do Príncipe que decoram o espaço e na forma como a casa recebe quem chega.


A presença são-tomense aparece à mesa, com pratos como o peixe andala com banana-pão, um dos sabores que aproximam o restaurante das ilhas. No Verão, o largo em frente ajuda a prolongar a refeição para fora de portas, com música e convívio.


Embora tenha uma ligação direta a São Tomé e Príncipe, o Cantinho da Ameixoeira não se limita à gastronomia são-tomense. O menu também tem referências do Brasil, Angola e Cabo Verde, com pratos como feijoada, moamba, cachupa e arroz de cabidela. É uma casa onde as diferentes cozinhas se encontram, sem perder a marca dos fundadores e da sua origem.


Onde: Largo do Terreiro, 5, Ameixoeira Velha, Lisboa.
Quando ir: terça a quinta e domingo, das 10h às 17h; sexta e sábado, das 10h às 19h, segundo a Time Out. Confirmar antes de ir.


Sabores da Imberenta


Em Camarate, o Sabores da Imberenta é uma casa são-tomense conduzida por Mimi, proprietária e chef do espaço. O restaurante aposta em pratos tradicionais e numa cozinha de sabor caseiro, feita para quem procura comida da terra sem sair da Grande Lisboa.


Na ementa surgem pratos como peixe andala, calúlú de peixe, búzio da terra, polvo, robalo grelhado, caldeirada de cabrito e outros pratos acompanhados por fruta-pão, banana frita ou arroz de feijão. É uma cozinha muito ligada ao peixe, aos acompanhamentos tradicionais e aos sabores que fazem parte do quotidiano são-tomense.


O Sabores da Imberenta é uma paragem que vale a pena para quem quer conhecer melhor a gastronomia de São Tomé e Príncipe a partir de uma cozinha familiar e sem grandes filtros.


Onde: Rua Alegre, 3, Camarate, Loures.
Quando ir: confirmar horários diretamente com o restaurante.


Tita & Mamã Preta


Também em Camarate, o Tita & Mamã Preta é outra referência ligada à comida são-tomense na Grande Lisboa. A casa apresenta-se como espaço de comidas tradicionais africanas, mas a sua história está especialmente ligada à presença são-tomense na restauração em Lisboa.


O restaurante tem um valor simbólico por retomar uma memória antiga: durante vários anos, o nome Tita & Mamã Preta esteve associado a uma das primeiras casas são-tomenses conhecidas em Lisboa. Depois de um período encerrado, o espaço voltou a abrir portas em Camarate, no Bairro de Angola.


Onde: Rua Adriano Correia de Oliveira, 5, Bairro de Angola, Camarate.
Quando ir: confirmar horários diretamente com o restaurante.


Da banana-pão ao peixe andala, do calúlú ao búzio, da fruta-pão ao arroz de feijão, a gastronomia são-tomense continua a contar histórias feitas de memória, trabalho, invenção e continuidade. Para a diáspora, estas casas ajudam a encurtar a distância em relação à terra. Para Lisboa e a sua área metropolitana, alargam o mapa de sabores africanos que também definem a cidade. E para quem chega pela primeira vez, mostram que a cozinha de São Tomé e Príncipe não se resume a um prato.

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