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As portas das instalações da Warner Music abriram às 20h00, mas a noite só começou cerca de uma hora e meia depois, quando Irina Barros subiu ao palco, já com o espaço cheio. Ciclos, primeiro álbum de estúdio da artista, chega hoje às plataformas digitais, mas foi apresentado na véspera, na sede do grupo que detém a Atlantic Records, selo com o qual a cantora assinou em 2025, num momento pensado para dar forma pública a um disco que levou tempo a acontecer e que, durante anos, existiu mais como hipótese do que como certeza.
Rodeada de amigos, fãs e alguns pares da música, a cantora abriu o alinhamento com “Bandeira Branca”, tema escolhido para inaugurar uma sequência pensada como percurso. Seguiu-se “Tu e a Lua”, tema lançado em 2025 e que funcionou como um dos pontos de reconhecimento imediato da noite. “Estou Bem”, canção que marca a segunda colaboração com Bluay, depois de “Bom Dia”, foi o terceiro tema do alinhamento e serviu de ponte para a apresentação de “Tanto para Viver”, o último lançamento anterior ao álbum, que contou com a participação de Matias Damásio.
Em conversa com a BANTUMEN, momentos antes de subir ao palco, a cantora falou sobre o tempo que antecedeu a concretização do primeiro álbum e sobre a relação ambivalente que foi mantendo com a ideia de reunir as canções num corpo único. Desde 2019, a artista tem vindo a construir um percurso sustentado por singles como “Viaja”, “Cada Detalhe Teu” e “Só Love”, que, em conjunto, ultrapassam os 30 milhões de streams, garantindo-lhe circulação consistente nas plataformas digitais e presença na rádio.
“As palavras profetizam. Tudo o que falamos de positivo acontece"
Irina Barros

DR

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De lá para cá, as canções foram surgindo de forma regular e ganharam vida própria, adiando a decisão de reuni-las num álbum. Irina vê nesse adiamento um gesto que acompanhou o percurso durante anos, num movimento repetido de empurrar o disco para a frente. “Eu sei que consigo fazer, mas há muitas vezes em que duvido de mim”, afirmou, explicando que a ideia do álbum esteve sempre presente, mas nunca totalmente assumida. A sucessão de “depois” prolongou-se até ao momento em que deixou de fazer sentido. “Quando dei por mim, já era o depois.”
Ciclos nasce desse momento de inflexão e surge como consequência natural de um percurso que foi ganhando densidade ao longo do tempo, até encontrar o seu lugar enquanto obra inteira. “Se aconteceu agora, é porque tinha de acontecer agora”, afirma sem deixar de sublinhar a importância do tempo como elemento ativo do processo criativo.
Produzido por Daus e Fumaxa, Mr. Carly e Willow Beats, o trabalho reúne 14 faixas que atravessam diferentes momentos da trajetória da cantora. Algumas das canções já eram conhecidas do público; outras revelam-se agora, integradas num corpo que lhes confere novo enquadramento. A escrita parte de experiências vividas e “cada letra foi literalmente aquilo que eu vivi, aquilo que eu senti, aquilo que eu passei”, num registo “cem por cento sincero” marcado por sonoridades como kuduro, guetto zouk e kizomba.
“Vai Dar Certo”, sexta faixa do álbum, ocupou um lugar singular no alinhamento e é, nas palavras da própria a canção pela qual tem um carinho especial. O single, cantado a solo é um testemunho de superação e crença alicerçado na certeza de que “as palavras profetizam. Tudo o que falamos de positivo acontece.”
Ao longo do disco, a dimensão mais pessoal convive com um trabalho construído em diálogo, visível nas colaborações registadas em estúdio e retomadas na apresentação ao vivo, que contou com as participações de Chelsea Dinorath, Titica e Loony Johnson, artistas que integram o álbum e que foram surgindo em momentos distintos do alinhamento. As colaborações nos temas “Done”, “Na Parede” e “Culpa ca dimeu”, respetivamente, refletem percursos e linguagens diversas, reunidas por relações de trabalho construídas ao longo do tempo. Irina fala dessas escolhas em termos de energia partilhada e de desafio, referindo o trabalho com Titica como deslocamento consciente face ao seu registo habitual. “É um estilo completamente diferente”, reconhece. “Foi um desafio para mim.”
Sobre a forma como trabalha hoje, a cantora fala de uma estrutura que se foi consolidando ao longo do tempo. “A minha equipa neste momento está com muito mais força”, afirmou, ao associar a consolidação da equipa a um processo de aprendizagem prolongado, construído fora de momentos de exposição imediata. Nesse caminho, destaca o trabalho com Mr. Carly, produtor e responsável pela My Vibe Music, com quem acredita ter construído uma relação de confiança para lá do estúdio. “O Carly sempre acreditou mais em mim do que eu própria”, conta ao mesmo tempo que assume o álbum como uma leitura possível do caminho percorrido. “Renascimento” é a palavra que usa para defini-lo como síntese do momento em que o disco deixou de ser hipótese e passou a ser certeza. “Este álbum é cem por cento da minha pessoa, cem por cento das minhas emoções.”
Nos próximos meses, Ciclos prolonga-se em palco. A cantora, que tem vindo a atuar fora de Portugal, com passagens por países como Cabo Verde e França, prepara agora a apresentação do álbum em Lisboa, num concerto marcado para o dia 27 de fevereiro, no Capitólio. Para além da data já anunciada, aponta novos palcos em Portugal e no estrangeiro, sem avançar itinerários fechados, mas com a Alemanha a surgir como um dos territórios em aberto.
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