Nenny apresentou um álbum onde identidade, vulnerabilidade e orgulho preto andam de mãos dadas

May 16, 2026
Nenny álbum ID listening party
©BANTUMEN/Nuno Silva

Partilhar

A listening party do novo álbum de Nenny aconteceu no icónico Fábrica Braço de Prata e foi mais do que uma simples audição - foi uma extensão completa do universo da artista.


O espaço refletia exatamente a estética e energia que Nenny descreveu à BANTUMEN: uma vibe galáctica, colorida, intensa e cheia de personalidade. Entre luzes, visuais futuristas e detalhes pensados ao pormenor, o ambiente contava com bar, DJ, Photo Booth, comida, apresentação de uma marca de beleza e vários elementos que representavam totalmente o ADN da artista.


E é isso que distingue Nenny na indústria musical portuguesa - o facto de não existir só numa caixa. Ela canta, compõe, dança, performa e cria conceito. É uma artista completa. Uma artista com identidade própria.


Ao conversar com artistas como o grupo Wet Bed Gang, a admiração era evidente. Todos reforçavam a mesma ideia: Nenny é um diamante raro da música portuguesa.


O álbum, construído ao longo de dois anos, nasceu entre viagens, experiências e descobertas pessoais. E apesar da mistura de sonoridades, há uma coisa que permanece constante: a fidelidade a si mesma. Cada faixa parece existir como uma peça da sua identidade.


A abertura com “ID” deixa logo clara a intenção do projeto: falar sobre identidade, essência e tudo aquilo que define Nenny enquanto mulher, artista e pessoa. Logo depois, “Tiki Taka” transforma a referência à estratégia lendária do Barcelona de Lionel Messi e Pep Guardiola numa metáfora sobre sobrevivência e superação dentro de uma indústria maioritariamente masculina. É uma música sobre fintar a vida, continuar em jogo e vencer apesar dos obstáculos.


Em “Onde Eu Cresci”, Nenny mergulha nas suas origens cabo-verdianas e no sentimento de pertencer a dois lugares ao mesmo tempo: Portugal e Cabo Verde. A faixa funciona como uma homenagem à imigração, à saudade e às raízes familiares descrita pela própria como a música favorita da sua mãe.

PUBLICIDADE

Universal Soraia Ramos - Suficiente
Nenny álbum ID listening party

©BANTUMEN/Nuno Silva

O lado mais R&B surge em “Não Me Fales”, colaboração com os Wet Bed Gang, antes de Nenny entrar num dos temas mais fortes do álbum com “Eu Quero Um Preto”. A música, que já está a gerar conversa nas redes, assume-se como uma declaração direta à comunidade negra, abordando sentimentos de exclusão, preconceito e a importância do “black love” numa sociedade onde muitas pessoas negras cresceram sem se sentirem representadas ou desejadas.


Essa conversa continua em “Fácil”, onde Nenny reforça que “o ADN da música é preto”. Mais do que uma frase de impacto, a artista fala sobre origem, resistência e influência, lembrando que a música nasceu da cultura negra. Ao mesmo tempo, desconstrói a ideia de que o seu percurso foi “fácil”, trazendo para a conversa as lutas dos seus pais e das gerações que vieram antes dela.


Já “That Girl” celebra liberdade, expressão e confiança. Inspirada pela cultura ballroom e pelo vogue, a faixa funciona também como uma carta aberta à comunidade LGBTQ+, reforçando a importância da representação queer na música portuguesa. A presença da drag queen Malisha no visualizer reforça ainda mais essa mensagem.


Num registo mais leve e descontraído, “Parabéns”, com participação de Jotapê, promete tornar-se um novo hino de aniversário, ao mesmo tempo que presta homenagem às amigas que acompanham Nenny desde o início da sua caminhada. Já “Dá-me o Toque”, ao lado de Carla Prata, traz uma energia divertida, solar e perfeita para o verão.


Mas é na reta final que o álbum se torna mais íntimo. Em “Prioridade”, Nenny revela uma versão mais vulnerável ao abordar a relação com o pai, enquanto “Hero” mergulha no amor-próprio e no longo processo até conseguir gostar verdadeiramente de si mesma. Uma construção lenta, difícil e profundamente honesta.


O encerramento com “Sarar” funciona quase como uma carta escrita para si própria. Entre referências à fé, à família, aos daddy issues e aos medos desta geração, Nenny questiona quem irá sarar as suas feridas emocionais. Ao mesmo tempo, a música transforma-se numa celebração da mulher em que se tornou. Dos 16 aos 23 anos, entre derrotas, sonhos e conquistas, a artista deixa claro que a sua identidade sempre foi, e continua a ser, a sua maior força.


São 15 músicas sobre si, mas também sobre todos os que se revêm nela. Sobre família, identidade, amor-próprio, imigração, comunidade e Portugal. Um álbum onde Nenny não tenta encaixar em lado nenhum - porque o espaço dela já existe e foi criado por ela mesma.

Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.

Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.

bantumen.com desenvolvido por Bondhabits. Agência de marketing digital e desenvolvimento de websites e desenvolvimento de apps mobile