Nina R.A.E. e a certeza de que “Românticos Não Morrem”

March 30, 2026
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Nina R.A.E. | DR

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No rescaldo das emoções de Românticos Não Morrem e da sua consagração no Coliseu Club, Nina R.A.E. sentou-se com a BANTUMEN para uma conversa em que a vulnerabilidade e a convicção artística caminham de mãos dadas.


Nina R.A.E. é o alter ego de Ana Raquel Moreira, sendo que o acrónimo R.A.E. carrega a promessa de uma "Real Ana Experience". Cantora, produtora, instrumentista e compositora luso-angolana, a artista traz na voz a vivência da Margem Sul, onde nasceu e cresceu, moldando uma identidade que não teme a exposição emocional.


O percurso até este primeiro longa-duração foi feito de maturação. Depois de se apresentar ao mundo em 2020 com o EP Space Out, Nina regressou em 2024 com (Ch)ama, solidificando os alicerces do que viria a ser o seu álbum de estreia. Antecipado pelos singles “Chuva” e “No More Tears”, Românticos Não Morrem chegou às plataformas em fevereiro, e trouxe consigo uma narrativa de dez temas que exploram o amor em todas as suas formas: o que fica, o que parte e o que nos transforma.


Ao ser questionada sobre o peso simbólico do título deste trabalho, a cantora explica que o conceito nasceu de uma necessidade de preservação: “O nome ‘Românticos Não Morrem’ nasceu da vontade de manter vivo o amor que sinto, principalmente por pessoas que já partiram. Inspirei-me muito na minha avó e também nas pessoas que me mostraram a importância de amar e cuidar ao longo da minha vida. Este nome significa que cada música me permitiu imortalizar o que sinto. E é um convite ao público para que faça o mesmo.”

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Universal / Carlão
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DR

Numa indústria pautada pelo consumo rápido, admite que o amor continua a ser o pilar inabalável da sua expressão e destaca um processo de criação feito ao próprio ritmo, movido mais pela importância da mensagem do que pela lógica do mercado. “Todo o processo de criação deste álbum fez-me aprender a amar mais e a ser também mais paciente comigo e com os outros. O álbum é também um pedido a todos que amem mais, sendo que, a meu ver, cada vez mais precisamos de ouvir, não só a música, mas uns aos outros”, confessa, reforçando que o romantismo é um exercício de escuta num mundo apressado.


A sonoridade do disco recusa fórmulas concretas e assume-se como um equilibrio entre as inspirações de artistas dos anos 90, a língua mãe e a experiência acumulada ao trabalhar com nomes como Beatoven, Chong Kwong, Anselmo Ralph, Mr. Marley e Zacky Man. Às canções já conhecidas juntam-se temas como “Onde fores”, “Por ti”, “Lembra-te de mim”, “Atenção”, “Chora baby”, "Cryin" on the dancefloor” e “Sem filtro”.


Sobre o desafio de manter a identidade, a artista assume que “o que o mercado pede é um pouco relativo. Vivemos num mundo digital em que tudo é consumido como pastilha elástica, então acredito que o importante é fazermos algo que nos faz feliz e a nossa tribo virá até nós como consequência. Este álbum fez-me realmente explorar vários estilos e o intuito foi criar algo divertido para mim. Embora a minha voz seja filha do R&B, unir-me a novos criativos como o Pedro Gonçalves, o Knox e o Dj Riskit permitiu-me descobrir que o amor não vem só em balada.”


Um dos momentos mais densos do projeto é o single “Se fores embora”, revelado no mesmo dia que o álbum. Composto em parceria com Pedro Gonçalves, que foi também o convidado especial na apresentação ao vivo no Coliseu Club, no passado dia 14 de fevereiro, o tema é uma imersão na perda, escrita a partir de uma experiência pessoal e servindo como um processo terapêutico de cura.


Com este lançamento, Nina R.A.E. lembra que, enquanto houver espaço para a vulnerabilidade, os românticos nunca morrerão. “Um romântico vive através do amor que nos deixa e que certas dores se transformam em capítulos”, conclui.

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