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O ranking dos artigos mais lidos desta semana na BANTUMEN começa com o concerto de Hélio Batalha em Lisboa, onde apresentou o álbum Testamentu e revisitou duas décadas de percurso no rap crioulo, num momento que cruza memória, identidade e intervenção social. Em segundo lugar surge o documentário Mamã Guiné, que, a partir do Carnaval Nturudu, propõe uma leitura da cultura como espaço de construção da identidade nacional na Guiné-Bissau.
A lista continua com apresentação de "Find Love", de Roselyn Silva, na ModaLisboa, que refletiu sobre diferença e união através de uma estética minimalista; o documentário Isso é Kuduro, de Indi Mateta, que revisita o género como arquivo cultural e social de Angola; e, por fim, a entrevista a Licínio Januário, que falou sobre o seu percurso e os desafios de representação enquanto ator angolano no audiovisual brasileiro.
Hélio Batalha apresenta no próximo dia 9 de maio, no Lisboa ao Vivo, o álbum Testamentu, o terceiro da sua carreira, num concerto que também revisita os temas que marcaram quase vinte anos de percurso. Na entrevista à BANTUMEN, o rapper cabo-verdiano define este novo trabalho como uma continuação do caminho iniciado com Kartas de Alforria e aprofundado em De Cairo a Cabo, mantendo a música como ferramenta de memória, denúncia, consciência e afirmação do seu povo. Aos 36 anos, assume uma escrita mais madura e interiorizada, sem abandonar os temas político-sociais que sempre atravessaram a sua obra, agora tratados com maior sensibilidade e intenção pedagógica.
Mamã Guiné, documentário realizado por Filipe Traslatti e Maurício Franco, nasceu de forma inesperada a partir de uma cobertura eleitoral na Guiné-Bissau, mas transformou-se numa longa-metragem sobre identidade, cultura e sentimento de pertença, tendo o Carnaval Nturudu como eixo central para pensar a guineendade, a diversidade étnica e linguística e o papel da cultura na construção da identidade nacional. A partir de entrevistas, imagens dos bastidores do desfile e depoimentos de artistas, músicos, historiadores e cidadãos comuns, o filme mostra o Carnaval como muito mais do que uma festa, afirmando-o como espaço de reflexão coletiva e de convergência entre diferentes visões do país. O título surgiu de uma frase espontânea dita por uma jovem durante os ensaios, “Eu sou Mamã Guiné”, expressão que os realizadores associam à força feminina, à lógica matriarcal e à ideia de um território que acolhe múltiplas identidades.
Na 66.ª edição da ModaLisboa, a designer luso-santomense Roselyn Silva apresentou "Find Love", uma coleção marcada pelo minimalismo e pela predominância do preto e branco, onde propõe uma reflexão sobre a oposição entre vencedores e perdedores, defendendo o amor como força de união entre diferentes perspetivas e culturas. Nascida em São Tomé e Príncipe e a viver em Portugal desde os quatro anos, a criadora mantém uma ligação às suas origens, embora nesta apresentação tenha optado por uma estética mais contida e próxima da moda europeia contemporânea, afastando-se dos estereótipos frequentemente associados à moda africana. Depois de se estrear na ModaLisboa com Legacy Part II, Roselyn regressou com uma proposta centrada na elegância das silhuetas, na simplicidade das composições e em momentos pontuais de ousadia, como um look integralmente preto em renda transparente.
Isso é Kuduro, documentário realizado por Indi Mateta e estreado a 20 de março no espaço Avenidas, em Lisboa, parte do percurso de DJ Tem Bicha para abrir uma reflexão mais ampla sobre o kuduro enquanto cultura urbana, arquivo vivo e expressão social que moldou linguagens, corpos, estéticas e formas de estar em Angola e na diáspora. Desenvolvido no âmbito do Democracy in Action, o projeto foi pensado como série e nasceu da vontade de revisitar a chamada “Era Dourada do Kuduro”, entre os anos 2000 e 2010, valorizando não apenas os artistas visíveis, mas também figuras como Tem Bicha, descrito como um “arquiteto invisível” do género, ligado a nomes como Os Lambas, Turma Tommy e Dama Diva. Indi Mateta recusa definições simplistas do kuduro e propõe antes uma escuta aberta às perceções dos seus protagonistas, sublinhando o género como espaço de inclusão, consolo, resistência e contradição social. Com uma linguagem visual construída a partir de referências ligadas às músicas urbanas periféricas de África e das Américas, o filme resulta também de um processo marcado por limitações financeiras, mas sustentado por cumplicidade criativa e por uma forte ligação emocional a Luanda, ao Sambizanga e à circulação do kuduro entre Angola e Lisboa.
Licínio Januário, ator angolano nascido no Bié e radicado no Brasil desde a adolescência, interpreta Dumi, general da guarda real em "A Nobreza do Amor", a nova novela da Globo estreada a 16 de março e que cruza África e Brasil numa narrativa ambientada nos anos 1920. Em entrevista à BANTUMEN, descreve este papel como o maior desafio da sua carreira e como um marco simbólico na representação mais estruturada de África no mainstream televisivo brasileiro. O seu percurso até aqui foi tudo menos linear: chegou ao Brasil para estudar engenharia civil, mas encontrou na capoeira uma filosofia de vida e, através dela, entrou no teatro, acabando por abandonar o curso no último ano para seguir as artes cénicas. Desde então, construiu uma carreira assente em disciplina, autonomia e pensamento estratégico, escreveu e interpretou trabalhos autorais, foi distinguido como melhor ator, cofundou o Coletivo Preto e consolidou-se como uma voz crítica sobre a forma como corpos negros e africanos têm sido representados na ficção brasileira. Ao longo da conversa, recusa romantizar a profissão, fala com franqueza sobre a instabilidade, os trabalhos paralelos e as dificuldades de ser artista negro e africano no Brasil, ao mesmo tempo que defende a criação de pontes mais sólidas entre Angola, os PALOP e o audiovisual brasileiro. Entre a capoeira, o teatro e a televisão, Licínio afirma-se como um artista que transformou a experiência migrante, a ancestralidade e o rigor aprendido noutros campos numa presença política e artística que continua a construir sem abdicar das suas raízes.
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