Plutonio vinga-se em três atos com “VENDETTA: Veni, Vidi, Vici”

November 5, 2026
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Plutonio | DR

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Plutonio lançou esta quinta-feira, 5 de novembro, VENDETTA: Veni, Vidi, Vici, o quinto álbum de originais, com 25 faixas divididas em três discos e sem participações. O disco chega dois anos depois de Carta de Alforria, o nome do documento que, no tempo da escravatura, devolvia a liberdade a uma pessoa escravizada, e é apresentado pela editora como a continuação natural desse percurso, em que a música deixa de representar a libertação para passar a representar a conquista. Antes disso, em 2019, tinha havido Sacrifício: Sangue, Lágrimas, Suor, e de disco para disco o rapper passou do sacrifício à liberdade e agora à vingança, com os alinhamentos a crescer de 18 para 22 e para 25 faixas. Plutonio, que cresceu no bairro da Cruz Vermelha, em Alcoitão, Cascais, apresenta o álbum ao vivo a 5 de junho de 2027 no Estádio José Alvalade, no maior concerto da sua carreira.


O álbum chegou às plataformas digitais à meia-noite, com 1 hora e 28 minutos de música, edição da Bridgetown Records e distribuição da Sony Music Portugal. Divide-se em três discos com os nomes da frase com que Júlio César anunciou uma vitória ao Senado de Roma, Veni, com oito faixas, Vidi, com nove, e Vici, com mais oito, todas creditadas apenas a Plutonio. O rapper explicou o título num texto que publicou no Instagram e que se ouve também, falado, no fim do disco. “Vendetta não é assim tão literal quanto a vingança, mas se for, é sem dúvida uma vingança sem violência”, diz, antes de citar Bob Marley sobre a música ser uma pancada que não dói.


Ouvido de uma ponta à outra, é o disco em que Plutonio mais fala de onde vem. Em “De Onde Eu Vim”, regressa à Cruz Vermelha e fecha a enumerar os bairros da Linha, de Alcoitão a Oeiras, e em “Propaganda”, a faixa mais política, fala de racismo, de colonialismo e de uma mãe que era, conta, “única no Ribatejo”, enquanto “Cavalo de Troia” é dirigida à irmã. Em “Vendetta”, a faixa que fecha o álbum com produção de Sam The Kid, coroa-se “Augusto Plutonio”, descreve o rap como o seu império romano e resume a última década numa frase, “Eu não mudei de som, eu fiz o som mudar a rádio”. Na mesma faixa vai a Moçambique, onde conta ter feito o luto do pai na campa e promete “abrir uma escola em Moçambique”.

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©Pluma

Com 25 faixas e sem um único convidado, este é também o disco mais autónomo da carreira, e em “Original” o rapper lembra que fez “dois álbuns sem fazer feats”, sendo este o terceiro. A produção divide-se entre Sam The Kid, Migz e Ariel, Progvid, Charlie Beats, DJ Dadda, Ajaxx e a dupla Nanu e Épico. “Futuro Isaltino de Alcabideche”, a frase com que se apresenta na biografia do Instagram, é também um verso do primeiro single, sendo Alcabideche a freguesia de Cascais onde fica Alcoitão. No mesmo tema, canta “Nem vou aos prémios quando eu venço / Onde há preconceito não há lugar onde eu pertenço”, e Plutonio não esteve na gala em que recebeu o Globo de Ouro e deixou à irmã a leitura do discurso dos PLAY.


VENDETTA começa onde a liberdade acaba e responde à pergunta que fica depois de vencer, sobre o que fazer com isso. A vingança do título não é contra ninguém em particular, mas contra as circunstâncias de uma vida que parecia ter o destino traçado, ou, nas palavras do próprio, “a vingança que a música me permitiu fazer da vida antiga”. O álbum foi chegando por partes, a começar por “Isaltino”, o primeiro single, que chegou ao primeiro lugar do top nacional de vendas, recebeu o galardão de ouro e passou os três milhões de reproduções no Spotify, segundo a Arte Sonora. Segundo a editora, tornou-se também a música de um artista português mais ouvida no Spotify no dia de lançamento. Seguiu-se “Graças a Deus”, a faixa que abre o disco, em que Plutonio conta a subida “do prédio p’rás tendências” e, na ponte, nomeia os alvos da vingança, a indústria musical, o telejornal, a habitação social e o abuso policial. A 2 de novembro saiu “Sicário”, que cruza a cúmbia com uma história de amor e traição, e à data do lançamento do álbum os três singles ocupavam, entre si, os três primeiros lugares do Top 50 Portugal do Spotify, de acordo com a editora.


O nome foi confirmado a 21 de outubro, mas as pistas vinham de trás, quase sempre com o V, o cinco na numeração romana, do emoji nas redes sociais aos cinco parágrafos começados por V no discurso dos PLAY, Prémios da Música Portuguesa, lido pela irmã. Houve ainda um V gigante desenhado por drones no fim de um concerto em Vizela e uma corrida de cinco quilómetros, a 5 de julho, que levou mais de três mil pessoas até ao Estádio José Alvalade, onde foi anunciado o concerto de 2027. A data de lançamento ficou escondida no videoclipe de “Isaltino”, num documento assinado pelo próprio Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, e o 5 de novembro é também a noite de Guy Fawkes, que o filme V de Vendetta recupera. A identidade visual segue a mesma linha, com o roxo imperial, cor historicamente associada ao poder, e uma moeda dourada com o perfil do rapper, inspirada nas efígies dos antigos imperadores. Os fãs fizeram as contas, apostaram em cinco vezes cinco faixas e acertaram, e o disco assume o jogo em “Dominicana”, onde Plutonio canta que transformou “os números em letras romanas”.

“Obrigado a todos os que fizeram parte deste processo e obrigado a todos os que ouvem a minha música.”

Plutonio

O percurso de Plutonio começou em 2013 com Histórias da Minha Life e passou, em 2016, por Preto & Vermelho, o primeiro álbum do rapper luso-moçambicano sob a chancela da Sony, com singles como “Última Vez” e “África Minha”, gravado com Bonga. Pelo meio, criou a sua própria label, os GhettoSupastars, e em 2018 entrou na Bridgetown, a editora de Richie Campbell, e começou a lançar singles em sequência, de “3AM” e “Preciso de um Tempo” a “Rain”, com Richie Campbell e Mishlawi. No mesmo ano subiu ao palco da Eurovisão, em Lisboa, num espetáculo dedicado à música lusófona, e em 2019, entre “Lucy Lucy”, “Vergonha na Cara” e “Dramas & Dilemas”, preparou Sacrifício.


Editado em novembro de 2019 com 18 faixas, Sacrifício: Sangue, Lágrimas, Suor tornou-se, em junho de 2020, o primeiro álbum português editado apenas em formato digital a chegar à platina, poucos meses depois de Plutonio ter esgotado o Coliseu de Lisboa e o Hard Club, no Porto. O disco não parou de crescer e, mais de cinco anos depois do lançamento, chegou à tripla platina, com mais de 100 milhões de reproduções, enquanto “Somos Iguais” passava os 50 milhões de streams em Portugal e era certificado como single de diamante pela Audiogest. Nos anos seguintes, o rapper alargou o território com a série documental “Acoustic Home”, da HBO, com a trilogia Pão na Mesa, que levou a sua música ao cinema ao lado do realizador Leonel Vieira, e com a travessia do Atlântico na mixtape Ordem & Progresso e no REP Festival, no Brasil.


Em “Vendetta”, Plutonio canta ter crescido com “traumas ex-coloniais”. Carta de Alforria, o álbum duplo de 2024, com 22 faixas, tornou-se o disco de um artista português mais ouvido num só dia no Spotify, com todos os temas certificados com ouro ou platina e “Interestelar” a somar sete platinas. Em julho deste ano, o álbum contava quatro discos de platina, e a editora fala agora em seis galardões. “Interestelar” foi a canção mais ouvida em Portugal em 2025, o ano em que Plutonio foi também o artista mais ouvido do país no Spotify, e em setembro desse ano as suas músicas somavam cerca de 500 milhões de streams em todas as plataformas e cerca de um milhão de ouvintes mensais.


Em fevereiro e março de 2025, Plutonio esgotou duas noites na MEO Arena, concertos que lhe valeram o Globo de Ouro de Melhor Atuação em Música e que ficaram marcados pelo momento em que chamou ao palco a mãe, Dona Chica, para lhe oferecer simbolicamente a chave de uma casa. Depois, transformou o público em convidado, com “Agradecido” a sair creditado como “feat. MEO Arena” e as vozes gravadas nas duas noites. Foi ainda o artista mais nomeado dos PLAY em 2025 e um dos vencedores da edição de 2026.


Em julho, Plutonio vendeu mais de 16 mil bilhetes em 48 horas para Alvalade, quase um terço de uma lotação de 52 095 lugares. “Como é óbvio estou super feliz e agradecido, tendo em conta as minhas origens e a luta que tem sido chegar até aqui… Mas ao mesmo tempo, honestamente, sinto que não vendi estes bilhetes em 48h, mas sim em uma vida inteira dedicada a escrever e gravar música”, disse então à BANTUMEN. Em “Veni, Vidi, Vici”, o rapper resume o caminho numa rima, “Passei de posição precária / P’ra passagem prioritária”, e no final do disco, falado, deixa o aviso: “Não te iludas com a ostentação, porque isto é muito mais sobre superação, motivação, disciplina.”


VENDETTA: Veni, Vidi, Vici está disponível nas plataformas digitais.

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