És mulher e falas criolo da Guiné-Bissau? A Praça Filmes procura a tua voz para uma nova animação

September 23, 2026
praca-filmes-casting-vozes-criolo-kiswahili-serie-animacao-2d
©Unsplush

Partilhar

A Praça Filmes abriu castings para encontrar duas vozes femininas para uma série de animação em 2D atualmente em produção. Procura-se, por um lado, uma mulher entre os 40 e os 70 anos que fale criolo da Guiné-Bissau, disposta a dar voz a uma das personagens de um dos episódios da série. Por outro, para a mesma série, procura-se ainda uma mulher entre os 50 e os 70 anos que fale português e kiswahili, língua falada sobretudo na África Oriental, em países como o Quénia, a Tanzânia ou o Uganda.


É nesta segunda comunidade, a guineense, uma das mais antigas de origem africana radicadas em Portugal, presente no país desde a década de 1980, que a produtora vai agora procurar uma das vozes de que precisa. Os fluxos migratórios entre a Guiné-Bissau e Portugal intensificaram-se sobretudo a partir do processo de descolonização, e mantêm-se até hoje laços estreitos entre os dois países, visíveis também na procura crescente de estudantes guineenses pelo ensino superior português. É nesse tecido humano, disperso por várias gerações já nascidas ou criadas em Portugal, que a Praça Filmes vai agora tentar encontrar a intérprete para este papel.


A produtora foi fundada em 2012, em Montemor-o-Novo, por José Miguel Ribeiro e por Ana Carina Estróia. Ribeiro é um dos nomes mais associados à animação portuguesa das últimas décadas, com uma carreira que inclui A Suspeita (1999), vencedor do Cartoon d'Or no ano 2000, um dos prémios mais importantes da animação europeia. Em 2022, assinou com a Praça Filmes a sua primeira longa-metragem de animação, Nayola, com argumento coescrito por Virgílio Almeida, José Eduardo Agualusa e Mia Couto, a partir da peça de teatro "A Caixa Preta", de Agualusa e Couto. O filme acompanha três gerações de mulheres atravessadas pela guerra civil angolana, entre o período do conflito e o Angola do pós-guerra.


Nayola foi coproduzido entre Portugal, França, Bélgica e os Países Baixos, com um orçamento de cerca de 3,2 milhões de euros, e estreou-se em junho de 2022 no Festival de Annecy, um dos maiores certames de cinema de animação do mundo. Desde então, passou pelas salas de Portugal, Angola, França e do Brasil, e já venceu mais de uma dezena de prémios internacionais, entre eles em festivais como o de Guadalajara, o de São Paulo, o AFRYKAMERA, em Varsóvia, o ANIMEST, em Bucareste, o ANIMA, em Bruxelas, e o CINANIMA, em Espinho, além do Prémio Quirino de Melhor Longa-Metragem de Animação Ibero-Americana, em 2023.


As candidaturas para os dois papéis seguem para o mesmo email, cg@pracafilmes.com, através do qual a equipa acompanhará os interessados nas etapas seguintes do processo. Para o papel em criolo da Guiné-Bissau, destinado a uma mulher entre os 40 e os 70 anos, o prazo termina a 5 de outubro. Para o papel em português e kiswahili, destinado a uma mulher entre os 50 e os 70 anos, o prazo é mais apertado e termina já a 25 de setembro.

Relembramos-te que podes ouvir os nossos podcasts através da Apple Podcasts e Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis no nosso canal de YouTube.

Para sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN, envia-nos um email para redacao@bantumen.com.

bantumen.com desenvolvido por Bondhabits. Agência de marketing digital e desenvolvimento de websites e desenvolvimento de apps mobile