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RB’G acredita que não está na na música pela estética nem pelo hype, mas sim por necessidade.
Nascido em São Tomé e Príncipe e criado entre Loures e Vialonga, Raúl Bragança encontrou no hip-hop um espaço de refúgio ainda em idade escolar. Foi no bairro, entre freestyles e referências como 50 Cent ou 8 Mile, que começou a perceber que a música podia ser mais do que entretenimento.“A música para mim é uma vida. É uma terapia”, resume.
Esse lado emocional continua a ser o centro da sua identidade e escreve para dizer coisas que, muitas vezes, não consegue expressar de outra forma. O freestyle, por exemplo, além da técnica, sempre foi desabafo e essa honestidade acaba por atravessar tudo o que faz.
É nesse contexto que surge “ZUMZUM”, o seu primeiro single a marcar posição de forma mais clara. A faixa funciona como uma primeira amostra consistente do universo do artista, tanto em termos de mensagem como de intenção.
“ZUMZUM” parte de uma ideia simples, mas muito atual. Vivemos num mundo onde tudo circula, desde conversas, opiniões, julgamentos. Tudo passa de pessoa em pessoa, cresce, transforma-se e volta com outra forma. O chamado “zunzum”. “É tipo… vai por todo o lado. Uma pessoa fala com outra e nunca para”, explica.
Mas o tema não fica pela observação social. Há uma camada pessoal evidente. A música nasce também daquilo que RB’G viveu na pele: comentários à sua volta, pessoas a falar sobre o seu percurso, expetativas cruzadas, e aquela sensação constante de que há sempre alguém a observar, a comentar, a tirar conclusões.
No meio disso, um dos pontos mais fortes da faixa é a forma como aborda a inveja. Não como discurso genérico, mas como experiência concreta. Relações onde nem sempre é claro quem está realmente do teu lado, ambientes onde o apoio e a competição coexistem. “Às vezes são pessoas que estão contigo, mas queriam ser como tu”, admite o artista.
O resultado é um som que cruza vivência pessoal com leitura do presente, sem perder a componente emocional que define o artista. Não é uma música feita só para vibe, mas também não se fecha numa mensagem pesada. Fica ali no meio, onde a realidade encontra a escuta.
Essa lógica de impacto já vinha de trás. Um dos momentos que mais o marcou foi quando apresentou um tema dedicado à mãe. A reação dela acabou por redefinir a forma como encara a música. “Ela começou a chorar… e eu percebi que a minha música podia tocar mesmo nas pessoas”. A partir daí, deixou de ser só sobre ele.
Hoje, essa intenção está assumida. O nome RB’G carrega isso. As iniciais de Raúl Bragança juntam-se a um “G” que representa “God”, refletindo uma dimensão espiritual que orienta o seu percurso. “Eu não canto só para as pessoas. Eu canto para Deus”.
Ainda numa fase inicial, o rapper mostra já uma mudança de postura. Fala de profissionalização, de foco, de deixar de fazer música sem direção e passar a construir com mais critério. Trabalha, organiza o tempo e tenta dar estrutura a algo que começou de forma espontânea. “Agora é sério. Já não é brincar”.
“ZUMZUM” surge assim como o primeiro sinal claro dessa fase. Não como um statement definitivo, mas como um ponto de partida sólido. Um som que apresenta RB’G ao público com aquilo que mais o define neste momento: verdade, intenção e vontade de ir mais longe.
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