Giant lançou o fenómeno “Ah txe txe” e desapareceu. Agora, sabemos o porquê

May 15, 2026
sergio pessoa giant entrevista
Giant | DR

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"Vamos" é o título da sua música mais recente, mas é também uma declaração de intenções. Sérgio Pessoa, que o universo da música eletrónica e da diáspora conhece como Giant, regressa às pistas depois de um período longe dos holofotes e fá-lo com uma produção mais trabalhada, uma equipa consolidada e, acima de tudo, com a clareza de quem sabe agora o que quer dizer e a quem.


O novo single mantém o ADN rítmico que em 2023 transformou "Ah Txe Txe", com Tyson, num fenómeno com mais de 30 milhões de streams nas plataformas digitais. Mas o homem que o produziu já não é exatamente o mesmo. "Não sinto pressão para que esta música bata os mesmos recordes mundiais do 'Ah Txe Txe', porque cada trabalho tem os seus números e a sua história. Agora tenho uma equipa e mais conhecimento. Estamos apenas no início." Para perceber o que mudou, é preciso recuar no tempo.


Sérgio cresceu em Lisboa, mas a música chegou-lhe cedo e por meios próprios. Aos sete anos, já "roubava" o computador do pai para explorar o Virtual DJ. A dança foi o seu primeiro palco, onde brilhou como profissional até aos 17, mas o destino já estava traçado na produção e na seleção musical. A transição foi uma extensão natural de quem sempre viveu a música pelo corpo antes de a viver pelas mãos. Em 2021, inspirado pelo amigo Jayson Chayzz, assumiu as cabines e não mais parou, percorrendo a Europa e conquistando espaços que muitos apenas sonham em pisar.


"O Giant é um artista completo. Não é só um DJ. Eu sou um artista completo porque faço todo o tipo de arte. Quero que as pessoas me conheçam como produtor, como designer e como DJ. O meu nome tem um poder muito forte, porque Giant significa 'Gigante'. Esse é o Giant", explicou-nos. Por detrás do nome há uma herança que faz questão de deixar explícita. Autointitula-se também Afrolunga. O sufixo “lunga” remete para uma palavra bantu, do kimbundu angolano, que se traduz aproximadamente como "aro" ou "idé",  um objeto de adorno, mas também de identidade e pertença. Filho de pai natural de Malanje e de mãe do Lubango, cresceu em Lisboa sem perder o fio a Luanda. É dessa tensão entre mundos que nasce o conceito.


Com Afrolunga, propõe uma leitura de Angola que passa pela música e chega a quem ainda não conhece a cultura do seu país de verdade. É algo que tem tentado fazer desde o início da carreira e que teve um preço. A certa altura, a alma, como diz, "já não estava em paz." Foram quase 365 dias longe dos holofotes. Entre amizades de conveniência e a pressão constante da indústria, o corpo pediu uma pausa e Sérgio ouviu-o. "Procurei Deus, aceitei-o na minha vida e foi aí que tudo começou a mudar dentro de mim."


O recolhimento trouxe clareza suficiente para entender que "temos de começar a conhecer-nos a nós mesmos. Às vezes, como artistas, não nos conhecemos porque há muitas distrações no meio. Tens de saber o que queres fazer para ver onde queres chegar. Eu sempre tive Deus na minha vida e, embora me tenha afastado por um tempo, levo a minha vida numa base espiritual. Gosto de passar boas mensagens e positividade."


"Música vem através de Deus”, mas chegar lá, defende, exige trabalho. Ser um bom DJ exige a capacidade de criar e criar exige estudo. Se o engenheiro que masteriza uma música estudou anos para o fazer, o artista também tem o dever de se preparar. É através desse conhecimento técnico que procura tornar-se mais autónomo e dominar todas as suas faculdades criativas.


A título de exemplo, regressa a "Ah Txe Txe" e assume que o tema não foi planeado e surgiu num momento de descontração com amigos. Antes de fazer o sucesso que os números confirmaram, era só uma “vibe” com amigos em Luxemburgo. Dessa experiência, mais do que os números, retira o conhecimento e a vontade de aprender, algo que deixa explícito em “Vamos”. O novo single, ao contrário das produções anteriores, "nasceu de uma forma muito natural. Eu estava em casa e comecei a gritar vamos. O meu amigo Elson Soares sugeriu que eu enquadrasse essa energia num conceito e eu comecei a explorar. Agora a música tem muito mais qualidade, já sei mexer melhor na voz e captar o som de forma diferente. É a vibe do verão”, afirma.


Atualmente em estúdio a preparar o seu primeiro EP, ainda sem data oficial, Giant afirma-se como um dos nomes emergentes da música feita na diáspora. Daqui para a frente o trabalho passa por sequências de lançamentos e colaborações com artistas angolanos e locais. É um caminho que está a recomeçar e, desta vez, sabe exatamente para onde vai.

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