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Lançado a 3 de abril, “Família” marca um novo momento no percurso de Soul, guitarrista luso-angolano que tem vindo a afirmar-se pela via menos óbvia da música instrumental. Num cenário dominado pela canção e pela palavra, o músico opta por um caminho onde a guitarra assume o centro da narrativa como extensão de um discurso pessoal.
Miguel Pereira, estudante na Escola de Música de Monte Abraão há vários anos, tem construído uma linguagem que cruza a formação em jazz com referências mais enraizadas nas suas origens. Esse ponto de encontro volta a ser evidente neste novo tema, onde a ideia de família surge como eixo concetual e emocional.
A composição nasce de um impulso direto. “A família sempre apoiou este sonho de viver da música e não podia deixar de fazer este gesto”, explica. Mas a noção de família aqui não é estanque. Inclui também os músicos que o acompanham, o círculo que sustenta o projeto e contribui para que ele exista. “É sobre união, harmonia. É sobre nós todos.”

DR
Essa ideia coletiva traduz-se numa peça que vive da interação. Sem recurso à voz, “Família” constrói-se a partir do diálogo entre instrumentos, num registo de jazz de fusão onde o groove assume um papel estruturante. A base rítmica, com raízes africanas, mantém-se fluida e dançável, enquanto a guitarra explora frases melódicas com ecos de jazz e blues . O resultado não procura virtuosismo isolado, mas sim equilíbrio e respiração entre os vários elementos como continuidade de uma tradição.
Soul recusa a ideia de que a ausência de voz limite a comunicação da sua arte. Para o artista, trata-se apenas de outra forma de expressão, com o seu próprio espaço. As referências que convoca da história do jazz à música angolana ajudam a perceber essa posição, mais próxima de um diálogo com o passado do que de uma reacção ao presente.
A fusão entre semba e jazz acontece sem cálculo excessivo. Tendo crescido entre referências culturais angolanas e uma experiência europeia, o músico descreve esse cruzamento como natural. O semba fornece o pulso, enquanto a linguagem jazzística introduz complexidade harmónica e liberdade melódica.
O groove, por sua vez, revela outra preocupação: o palco. Soul compõe já a pensar na reacção do público, na dimensão física da música. Há uma intenção clara de aproximar o registo gravado da energia do direto, mantendo espaço para variação. Ao vivo, a estrutura mantém-se, mas os solos abrem margem para transformação, prolongando o tema para além da sua forma fixa.
“Família” é o quinto avanço de Essência, o segundo EP de originais do músico, ainda sem data de edição.
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