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Torcany é natural da Lunda Norte, região a cerca de 620 quilómetros de Luanda, no nordeste de Angola. Com passagem pelos projetos Rio Ripoll, Ekundayo e Besteiras, este artista emergente mistura Semba, Afro-Pop e Samba numa linguagem que recusa fórmulas prontas. Agora, com o novo EP Praça, o músico explora a dúvida e a ambição, as duas forças que o definem.
O título do projeto não é aleatório. Para Torcany, a "praça" é um lugar de reunião, onde as pessoas se juntam para ouvir música e discutir a vida e os problemas sociais. No EP, ela funciona como espelho: um espaço onde o público descobre quem ele realmente é.
"Escriturei e coloquei em forma de canção partes muito fortes da minha personalidade para que o público conheça quem eu sou de verdade", explica. Conhecido pela boa voz e pela presença em palco, Torcany encontra-se numa fase de mostrar a sua versatilidade, misturando pop, afro e samba com as raízes angolanas - sem nunca abrir mão da essência.
"Sou alguém aberto a inovações, mas acredito que todos devemos carregar uma parte de si para onde quer que vamos", diz. "A união entre a minha visão de mundo e as novas opiniões que recebo faz com que a minha música flua naturalmente."
Torcany cresceu absorvendo os ritmos da Lunda Norte, mas recusa ser prisioneiro deles. Hoje trabalha em Lisboa, onde a sua identidade sonora continua a ganhar dimensão. Recentemente, a faixa "Tóxico" foi integrada numa produção cinematográfica e serviu de pano de fundo para uma sua performance enquanto ator. Esta transição entre música e cinema mudou a forma como ele compõe. "Agora as minhas composições assemelham-se a roteiros de histórias", reflete. "Exploro um mundo artístico mais abrangente, embora nas minhas letras seja mais real do que personagem."
Como artista emergente, o maior desafio foi tirar o projeto da gaveta trabalhando de forma independente. Torcany descreve o processo como andar por caminhos escuros, sem saber onde pisar, mas movido pelo espírito de "just do it". O fio condutor do EP Praça está na música que lhe dá título. Nela, estabelece um contraste poético entre a sua mãe, vendedora ambulante na Vila da Gameca em Luanda, e ele próprio, artista de rua nas praças de Lisboa.
"Vendi na praça com cinco anos na Lunda Norte. O convencer as pessoas, ser simpático e usar a boa locução para convencer clientes foi uma preparação para o que faço hoje nas ruas de Lisboa", explica. Torcany sente que foi preparado para a arte de rua desde cedo, e essa vivência ecoa em cada apresentação que faz nas ruas da capital portuguesa.
O EP fala de dúvida, mas o artista sente agora uma convicção clara sobre o seu caminho. Tentou Engenharia Civil e Recursos Humanos, mas a música puxava-o sempre de volta. "Escrevi a minha infância, a minha mudança e todos os processos que passei. A minha vida está a ser vivida nos detalhes e este EP vai marcar o resto da minha vida", afirma com certeza absoluta. Praça é assim a preparação necessária para as portas que se vão abrir. "Eu sei que isto é o princípio e não o fim", reforça.
Torcany, o rapaz que começou na Lunda Norte, teria orgulho desta musicalidade e desta mensagem porque acredita que o mundo precisa de voltar a discutir a honestidade e a simplicidade. "A simplicidade ainda é o melhor a se fazer para este mundo", reforça. "Sou o Torcany e quero que você encontre um ponto positivo que mude a sua vida enquanto desfruta das minhas canções."
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