Traficante D’Arte aprofunda o seu universo colaborativo com “Dama da Noite”

June 17, 2026

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Depois de "Kataleya", os Traficante D'Arte voltam com "Dama da Noite", single que junta Valter Ls, Dsb, Missy Bity, Stevão Ndm Deezy, Myriiam, Landim e Vado Mka. É o segundo tema do projeto iniciado por Katana e Tuka, que assinam também a produção musical. Pensado “para durar”, o projeto foi lançado a 12 de junho e segue uma sequência em que cada lançamento se liga ao anterior e prepara o seguinte, em vez de esgotar uma reunião de convidados.


Como quase tudo no universo do projeto, o nome vem da natureza. A dama-da-noite só abre depois de escurecer, e é dessa flor que o disco herda a intensidade, o mistério e a transformação. Katana e Tuka deixam-na de propósito em aberto: "Cada pessoa pode encontrar um significado diferente ao ouvir a música, e isso faz parte da essência do projeto." A lógica estende-se a toda a simbologia das plantas, que descrevem como um fundo de "características próprias, histórias, comportamentos e significados" de onde tiram matéria para construir conceitos sem impor uma leitura única.


"Kataleya", tema anterior e que contou com a participação de artistas como Denny, Pempas, Sassa, Gang Mka e Elji Beatzkilla, foi bem recebido e a receção podia ter pesado sobre o que vinha a seguir. "Existe responsabilidade, mas não pressão", contrapõem. O objetivo, dizem, nunca foi correr atrás de números, e sim criar "obras com identidade, qualidade e impacto". Daí recusarem ver o "Tráfico" como um simples grupo de artistas: é, antes, "uma plataforma criativa onde diferentes talentos se juntam para transformar conceitos em arte".


Esse princípio prova-se na escolha de quem entra. "Nunca escolhemos artistas apenas pelo momento que estão a viver ou pelos números", garantem; procuram quem tenha "algo para dizer" e encaixe na história que querem contar. Antes do talento, pedem autenticidade: "Hoje em dia há muita gente talentosa, mas nem todos têm identidade." Por isso valorizam quem sabe quem é, respeita o processo e trabalha em equipa, convictos de que "o talento abre portas, mas a disciplina, a humildade e a capacidade de trabalhar em equipa são o que faz alguém permanecer".


O maior desafio da edição estava em juntar personalidades, estilos e formas de escrever diferentes numa só obra, sem perder a coerência, dando espaço a cada artista e, ao mesmo tempo, impedindo que o disco descambasse num desfile de participações soltas. Cada um tinha de "ter espaço para mostrar quem é", mas todos tinham de "contribuir para a mesma narrativa"  e a música nasce dessa tensão.


Pelo caminho, o projeto junta nomes já feitos com outros que agora começam, uma ponte em que acreditam por experiência própria. "Todos nós começámos em algum lado", lembram. Os veteranos trazem experiência, os novos trazem "uma nova energia e novas ideias", e da troca saem oportunidades para os dois lados: "É assim que a música evolui."


"Hoje já não consigo definir o Traficante D'Arte apenas como um projeto musical", admitem. Falam antes de plataforma criativa e, sobretudo, de "um movimento de valorização da nossa música e dos nossos artistas", com a música como ponto de partida para uma ambição maior: criar oportunidades, desenvolver talento e contribuir para "uma indústria mais forte e mais organizada". Querem que o nome fique ligado a quem "acreditou na qualidade, na criatividade e nas pessoas", ajudou artistas a crescer e criou clássicos. "Se daqui a alguns anos alguém disser que o Traficante D'Arte mudou a forma como se olhava para projetos colaborativos em Angola", e na lusofonia, "vou sentir que valeu a pena".


"Dama da Noite" põe à prova essa aposta: a de que juntar artistas com este critério se sustenta no tempo e rende mais do que o alcance imediato de um disco.

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