Apenas um terço da população cabo-verdiana come frutas e legumes, enquanto 6% das crianças menores de cinco anos têm excesso de peso e obesidade, segundo dados do inquérito nacional sobre a vulnerabilidade alimentar e nutricional das famílias.

Os resultados preliminares do inquérito foram conhecidos na cidade da Praia, durante a VIII Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN), que tem como objetivo analisar as questões relativas à Agenda Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

O estudo contou com uma amostra de 5.832 alojamentos – representativa dos 22 concelhos em Cabo Verde – e resultou de inquéritos realizados entre setembro e outubro deste ano.

Os resultados preliminares do inquérito indicam que 64,9% dos representantes do agregado familiar são mulheres, com uma idade média de 48 anos.

O consumo de vegetais e fruta é feito apenas por um terço da população estudada e a maioria (52,7%) dos agregados familiares tem uma diversidade da dieta baixa ou moderada.

Outro indicador que consta do inquérito refere-se ao acesso à rede pública de água, disponível para 72,5% dos agregados.

A maioria das famílias (57,2%) estudadas bebe água da rede pública.

A prevalência do excesso de peso e obesidade das crianças menores de cinco anos é de 6%, uma magnitude de prevalência considerada moderada.

Já a desnutrição aguda situa-se, a nível nacional, nos 4,4%, não sendo considerado por isso um grave problema de saúde pública.

A desnutrição crónica apresenta uma prevalência de 11%, com uma magnitude moderada, superior nas mulheres e nas crianças com menos de 24 meses.

A evolução da desnutrição regista uma tendência decrescente: entre 1983 e 2018 assinalou-se uma diminuição de 12,3 pontos percentuais da taxa de desnutrição crónica, 1,6 pontos percentuais da taxa de desnutrição aguda e 11,7 pontos percentuais da insuficiência ponderal caracterizado pelo índice peso para a idade.

A nível dos municípios, mais de metade tem uma prevalência de pré-obesidade nas crianças moderada ou elevada.

Os municípios com prevalência elevada (acima dos 10%) estão nas ilhas de Santo Antão – Paul (11,5%) e Ribeira Santo de Santo Antão (10,2%) e de Santiago (11,4%).

A nível da desnutrição aguda, a maior parte dos municípios tem uma severidade baixa. Contudo, os municípios de Porto Novo (Santo Antão) e Boavista (ilha da Boavista) registam uma prevalência elevada.

Relativamente à desnutrição crónica, 12 dos 22 municípios de Cabo Verde apresentam “uma prevalência moderada”, dos 10 aos 19%. Existe, no entanto, um município com uma magnitude elevada: São Salvador do Mundo, na ilha de Santiago (24,3%).