Todos sabemos que uma vitória, seja ela a que nível for, precisa de um alinhamento são entre a mente e o corpo. O clube de futebol Primeiro de Agosto, um dos maiores clubes de Angola, há três anos que conseguiu encontrar esse equilíbrio e um dos principais responsáveis é Marco Patrice Victor (MVP).

O emblemático de Luanda esteve durante dez anos sedento de voltar ao topo da tabela de classificações e há três épocas consecutivas que tal acontece. Em 2016, 2017 e 2018, os militares, como são conhecidos, sagraram-se campeões de Angola. O mérito é do trabalho que o plantel e a equipa técnica têm desenvolvido nos últimos tempos, que inclui o coaching desportivo do coach MPV.

 

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Tudo começou com os vídeos motivacionais “Matabicho Para a Mente”, em que com a sua sabedoria, MPV tenta motivar aqueles que o vêem a seguir em frente, a serem mais e melhores. “Alguém do clube assistiu e achou que o clube podia usar essa motivação. Eu tinha acabado de fazer a minha certificação em Portugal de coaching desportivo e achei super interessante. Não estava à espera que fosse convidado para um clube tão grande, claramente que fiquei com aquele sentimento de responsabilidade acrescida porque uma coisa é um clube que quer chegar a meio da tabela, outra coisa é estar num clube que quer ser campeão e campeão várias vezes. Mas, está a ser fantástico e eu próprio venho crescendo e melhorando as minhas habilidades diariamente.”

Contudo, inicialmente foi necessário ultrapassar uma certa resistência à ideia de um estranho se acercar dos problemas profissionais e, muitas vezes, pessoais. “Houve uma resistência muito grande, mas de facto o meu histórico de vida e o meu currículo profissional fez com que a confiança dos jogadores começasse a surgir. Eu angolano, com orgulho de ser angolano, que aprendo o código de comunicação que for preciso aprender para criar empatia com as pessoas a quem me dirijo, porque se um indivíduo se comunica como nós, então é um dos nossos. Essa foi uma vantagem para mim, ser da banda e comunicar-me como tal. Então a resistência existiu sim, mas quando as pessoas começaram a ver algumas mudanças na equipa e principalmente no convívio em balneário, criou-se uma sinergia maior, maior união, e tudo isso se refletiu nos resultados dos jogos.”

Uma das maiores provas de MPV, enquanto membro da equipa técnica do D’Agosto, foi o tumultuoso jogo contra o Espérence de Tunis, em outubro de 2018, a contar para a passagem à final da liga dos Campeões Africanos. Depois de uma vitória de 1-0 em casa, o clube angolano foi até Tunis, onde um empate seria o suficiente para continuar na prova. Mas o que encontrou foi, além de um jogo difícil, um acolhimento hostil por parte dos adeptos e uma arbitragem duvidosa. Os militares perderam o jogo por 4-2.

A derrota do Primeiro de Agosto, que o tirou do caminho da Liga dos Campeões, não foi portanto por uma questão de técnica da equipa, o que poderia ter abalado ainda mais a motivação dos jogadores.

Outra prova de fogo para o plantel, anterior a este evento, foi as transferências de Gelson Dala e de Ary Papel.

A ideia é que independentemente de quem saia, nós encaramos como uma oportunidade para quem fica de brilhar. Então, nunca é um problema de uma nuvem negra que fica, as nuvens passam. Claro que custa, somos amigos de quem parte, logo, fica a saudade, mas olhamos para a frente. Realço que ninguém é substituível e o clube não é um jogador, é uma equipa. Uma equipa capaz de se adaptar.”

Sobre as principais dificuldades que os atletas enfrentam, e para as quais MPV auxilia a encontrar soluções, são tanto a nível pessoal como profissional. “As maiores dificuldades que os jogadores têm são de várias ordens, desde as suas vidas pessoais a desafios profissionais, principalmente pela pressão de tudo aquilo que é esperado deles, seja pela direcção do clube ou pelos adeptos. Aprendemos a transformar essa pressão em energia para melhorar os nossos níveis de produtividade, ao invés de permitir que se tornem um factor de bloqueio. O stress é uma das maiores causas de doenças cardíacas, depressão, entre outras, por este motivo falo com eles sobre saúde também, sobre a importância do equilíbrio entre a mente e o corpo.”

 

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O reconhecimento desse trabalho são, obviamente, as taças que o clube tem ganho, mas Marco Patrice Victor acredita que a própria federação angolana vai começar a dar maior relevância ao seu papel. “Já trabalhei há algum tempo com a seleção angolana de sub 23, foi o meu primeiro contato com o futebol como coach, e penso que é uma questão de tempo até a federação reconhecer a importância do coaching desportivo e para que comece a utilizar a mais-valia desse serviço.”

 

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MPV frisa ainda que “é muito fácil chegar aos cinco melhores de África, o mais desafiante é manter”, por isso o trabalho é uma constante evolução. Agora vamos fazer um trabalho mais profundo para mantermos este ranking, porque a pressão é diferente. Um clube que entrou para esta posição como underdog, um clube que ninguém conhecia, enfrentará outra resistência no próximo ano quando voltarmos à competição, pois teremos os adversários a olharem para nós com mais respeito porque já sabem o que somos capazes de fazer, isso é bom. No entanto, exigirá de nós uma melhor prestação e nós estaremos prontos.”

Para conheceres melhor o trabalho de Marco Patrice Vitor, segue Marco Patrice Victor nas rede social : Twitter | InstagramFacebook  | YouTube