O Prémio de Literatura da Nova Academia foi criado como protesto contra o cancelamento do Prémio Nobel da Literatura e tinha quatro finalistas: o japonês Haruki Murakami, a vietnamita Kim Thúy, a francesa Maryse Condé e o inglês Neil Gaiman.

“Nas suas obras, com uma linguagem precisa”, Maryse Condé “descreve os danos do colonialismo e o caos do pós-colonialismo”, afirmou a Nova Academia, esta sexta-feira, no anúncio realizado na Biblioteca Pública de Estocolmo.

Maryse Condé, nascida em Guadalupe, em 1937, feminista e ativista, vive nos Estados Unidos e é considerada uma das autoras mais destacadas das Caraíbas, tendo escrito cerca de 20 romances e recebido vários prémios de prestígio.

Conhecida como uma das mais importantes difusoras da cultura africana nas Caraíbas, Maryse Condé descreveu como o colonialismo mudou o mundo e como os que são afetados retomam a sua herança.

‘Desirada’, ‘Segu’, ‘Crossing the Mangrove’ e ‘Who Slashed Celanire’s Throat?’ são algumas das obras que escreveu, sem qualquer edição em português.

Os quatro finalistas foram escolhidos por uma votação aberta ao público, a partir de uma escolha prévia de 47 escritores, feita por cerca de três mil bibliotecários.

O prémio alternativo, no valor de um milhão de coroas suecas (cerca de 96 mil euros), foi atribuído pela Nova Academia, organização fundada este ano por várias figuras culturais suecas, entre as quais jornalistas e autores, como forma de protesto ao cancelamento do Prémio Nobel por parte da Academia.

Está marcada uma cerimónia para entrega do prémio à escritora laureada no dia 9 de dezembro.