O Milhōes de Festa é um festival inclusivo, aberto a qualquer estilo de música, pessoas, vidas socias e formas de arte, o que faz com que o público e também os artistas se sintam livres de mostrar a sua verdadeira identidade.

 

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Durante o festival, a BANTUMEN esteve à conversa com dois artistas distintos mas cuja inspiração para o desenvolvimento dos seus trabalhos acaba por se tornar num elo de ligação entre ambos. São eles Charlotte Adigéry, vocalista de WWWater e Scruru Fitchadu. O ponto comum entre Charlotte e Scuru Fitchadu é o facto de, a um dado momento, nas suas vidas, os artistas sentiram a necessidade de procurar uma orientação musical em culturas e países além da sua terra natal.

Scuru Fitchadu foi sem dúvida um dos melhores concertos deste Milhões de Festa 2018, tendo em conta a vibração do público com a sua energia. Entre os entusiastas ouvia-se “és o maior”, “mais uma” enquanto se saltava de um lado para o outro ao som do punk funaná de Sette Sujidade, o vocalista do grupo. Os seus fãs fizeram questão de ocupar a frontline e não tiveram vergonha alguma de pedir as músicas preferidas.

 

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“Eu sou virgem de Milhōes”, explicou-nos Sette. “Gosto deste tipo de festivais. Em outros festivais grandes tu entras, tocas e fazes tipo uma one night stand. Neste aqui tu pagas, entras e vives a cena, o pessoal não vem aqui só ver uma banda, eles vêm aqui viver o Milhōes de Festa.”

Depois de um início complicado no mundo da música, Scuru Fitchado, o projecto que junta música punk com música tradicional de Cabo Verde, o funaná, tem vindo a crescer e a atrair um público mais vasto e curioso.

O projeto foi acusado de se apropiar da música de Cabo Verde e o público cabo-verdiano esteve bastante mais cético à aceitação do seu trabalho por não perceberem a ligação entre os dois estilos, completamente distintos, e o porquê de uma banda portuguesa querer mudar um ritmo e sonoridade tão intrínseco ao arquipélago.

“Se se estivesse a fazer o funaná tradicional, se calhar não estava a ser verdadeiro comigo, porque na verdade nasci em Lisboa, vivi muito tempo nas Caldas da Rainha onde era só música eletrónica, punkalhada, rock e metal. A minha cena do funaná vem da parte minha  família, portanto não estou a roubar nada nem estou a refazer o funaná, é a minha interpretação.”


“Se calhar foi por causa deste buzz negativo que depois outras pessoas mais ligadas ao Rock e isso ]pensaram] ‘deixa-me lá ver isto’, e disseram ‘vamos apostar nisto’ e eu comecei a tocar em festivais.”

O vocalista admite também que o Milhōes de Festa é a cara de Scuru Fitchadu, e que o facto de envolver vários géneros de música de forma tão aberta, faz com que seja o “verdadeiro festival do mundo”.

 

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Charlotte Adigéry, vocalista de WWWater, tem a mesma visão. Acredita que as suas experiências de vida e as suas origens influenciaram a linha do seu trabalho.

Charlotte é uma artista belga, que nasceu em França, mas as suas inspiraçōes e algumas músicas vêm de Martinica e Guadalupe, duas ilhas das Antilhas Francesas, de onde os seus pais são originários.

“Não sou belga e não me sinto belga. É mais fácil dizer que não sou belga. Eu sei o que não sou, mas não sei o que sou.” Essa afirmação sente-se nas músicas da artista. O repertório de Chartlotte vai mudando porque gosta de explorar estilos diferentes, como rock, r&b e soul, e o tipo de linguagem também vai variando. Ora podemos ouvi-la em francês, ora em crioulo, ora em inglês.

 

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A carreira musical da artista começou há dez anos, quando fazia back vocals para algumas bandas belgas, como Baloji e Arsenal.

Depois de algum tempo, a artista decidiu que seria uma boa ideia começar o seu próprio projeto, WWWater, onde as suas ideias e interpretaçōes musicais seriam o foco principal.

Para além de WWWater, Charlotte também tem outros dois projetos. Num deles trabalha lado a lado com a sua mãe numa banda chamada Chris and Charlie e no outro trabalha a solo e em nome próprio.

 

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Em Novembro, Charlotte irá lançar um EP no seu projeto a solo. “Estou super orgulhosa, mal posso esperar. Tem músicas em criolo, em francês mas também em inglês.”