Nicholle Kobi tem 38 anos, é uma ilustradora francesa, nascida no Congo, que tem dado o que falar com a sua interpretação de mulher negra. O seu trabalho, divulgado nas redes sociais, acabou por se tornar num fenómeno cultural entre as mulheres da diáspora africana.

Kobi começou a desenvolver este trabalho de representação da diversidade negra feminina no seu trabalho, porque começou a aperceber-se da grande lacuna existente no trabalho de outros artistas que seguia. E quando havia ilustrações de mulheres negras, Kobi reparou que caíam em estereótipos desconfortáveis ​​ou numa interpretação simples. Então, a ilustradora empenhou-se na missão de mudar esse facto. “Eu decidi, vamos fazer as mulheres negras como eu as vejo, como elas realmente são”, disse ela à Quartz.

Nessa senda, uma professora de História da Arte uma vez disse-lhe que ela seria melhor começar a procurar um emprego numa empresa porque nunca teria trabalho a desenhar apenas mulheres negras.

Com o passar do tempo e confinada em casa, depois de uma longa licença de maternidade, Kobi acabou por voltar a focar-se no que mais gosta, desenhar. Mulheres Negras.

E essa felicidade surge porque está a representar o seu mundo de forma autêntica. “É fácil criticar as mulheres negras, por causa do nosso cabelo, nossa pele, nunca somos o suficiente”, diz explicando que suas imagens são destinadas a reforçar positivamente a imagem popular das mulheres negras.

Kobi tem 38 anos nasceu em Kinshasa, Congo, mas cresceu na Normandia, em França, onde era uma minoria consciente da sua diferença. Foi entretanto na cosmopolita cidade de Paris, que a ilustradora realmente começou a entender o racismo e a exclusão dos negros na sociedade francesa, deparando-se com todos os estereótipos e limitações impostos aos parisienses negros.

Nos seus círculos pessoais, Kobi sentiu-se pressionada em grupos onde só havia uma pessoa negra. “É uma experiência que os negros conhecem bem, uma espécie de falsa diversidade que só tem espaço para um não-branco, seja no escritório ou na mesa de jantar. Eu não queria ser o bom parisiense negro”, disse Nicholle Kobi ao Quartz.

Por isso, as suas ilustrações frequentemente destacam as relações positivas entre negros. Imagens simples de um casal sentado num sofá ou mulheres chiques, com diversos tons de pele e penteados ou a Torre Eiffel como pano de fundo.

Mas Kobi avisa, “os negros em Paris não estão prontos para serem negros”. Em Paris, Kobi atrai muito menos gente para o seu trabalho do que em cidades como Nova Orleans, EUA, ou Joanesburgo, África do Sul, além de que nuca conseguiu trabalhar em França. Alguns chegaram inclusive a chamar o seu trabalho de racista porque só atrai mulheres negras. Contudo, as mesmas críticas não são aplicadas às ilustrações que só contam com pessoas brancas.

Nicholle Kobi criou o seu próprio espaço e estúdio. E, enquanto é incompreendida em França, a ilustradora e o seu trabalho continuam a ser bem recebidos no Brasil, Reino Unido, Estados Unidos e agora na África do Sul. Quanto à África francófona, diz, demorou a responder ao seu trabalho, mas poderá ter a ver com o longo legado colonial.