Seria escusado sublinhar uma vez mais o ritmo alucinante a que nascem novos rappers, mas é impossível contornarmos esse facto, principalmente em Angola. E se Luanda é mãe de quase todos os nomes que sobressaem no movimento, o pai são todas as restantes províncias unidas.

Os intermitentes e efémeros blogs sobre o assunto e as ondas de cyphers são o pontapé de  saída para muitos, que dão entretanto seguimentos aos seus trabalhos com o lançamento de mixtapes ou álbuns.

O estilo que mais tem dado que falar nos últimos tempos, a par do que acontece no resto do mundo, é o trap. E mesmo quem era leal ao boom bap acabou por se render ao sucesso do novo estilo, que nasceu nos estúdios e ruas de Atlanta, nos EUA.

Luanda, por ser a capital do país, é naturalmente o epicentro do movimento, as olhando numa perspectiva competitiva e qualitativa, podemos dizer sem medo de errar que as províncias têm emecees absolutamente capazes de competir em pé de igualdade com os da capital do país. Destaque especial para o sul do país, surgem nomes que o factor “espaço de antena” não tem intimidado e os destaques vão claramente para Benguela, Huambo e Huíla.

Na província de Benguela, uma das capitais do rap em Angola, encontramos nomes como Samuel O Clássico, Mac D, Juca Manjenje, Madame Gaga, Under P, Decente Motivação, Viruz 504, Hidrogênio, Hip Hop Sul Imperial.

 

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Já na província da Huíla, nomes fortes como o grupo All Starz Gang, Bullyng Boyz, nomes como António Mierques, Eliak Nganzas, Bimma, Street das Chagas e a label Mainstream, de onde veio o rapper EME, que há dois anos lançou o som “Matando a Nova Escola” e causou um alvoroço em torno do movimento.

No Namibe, temos os rappers Erick Dorinel, Tchingury Boyz, Kobs e Michel Ricardo que têm dado vida ao movimento.

 

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Ainda devemos ter em conta alguns nomes na cidade do Huambo, como a dupla Palestino PL e Antídoto, outro duo é a Two Magics (Zenyp e Fidym) pioneiros do trap naquela cidade, e nomes já sonantes como Phedilson Ananás e Fábio 3G, ambos relacionados directamente com labels da capital do país.

O SONHO DE ATINGIR O NÍVEL NACIONAL

Embora alguns rappers afirmem categoricamente que o seu foco na carreira não é, e nunca foi, mudar-se para Luanda, feliz ou infelizmente, esta tem sido a principal condição para os fazedores de rap conseguirem fazerem-se presentes nos canais de televisão nacionais, terem a oportunidade de actuar em shows e eventos badalados (por vezes gratuitamente, sem apoio para alojamento ou transporte). A falta de mais veículos de divulgação para os seus trabalhos, a necessidade de ter sempre de recorrer à Luanda (Sites, Revistas, TVs e Jornais) para conseguir.

UM EXEMPLO A TER EM CONTA

Um exemplo da necessidade da mudança de cidade foi Riscow420, agora membro integrante da já renomada produtora Latino Records. Saído de Portugal, onde cresceu, Riscow420 viveu durante três anos na província do Huambo e só depois de ter chegado a Luanda é que conseguiu colocar a sua carreira na rota da ascensão da sua carreira. Em apenas quatro meses Riscow420 conseguiu atingir a tão procurada notoriedade entre os rappers na nova escola em Angola.

O MERCADO

O mercado e os meios de divulgação são fracos. Precisava-se de um mercado musical interno, independente do mercado da capital, com uma maior abertura de espaços musicais em rádios locais, programação regional em canais de televisão abertos, maior destaque para artistas locais em eventos de grande mediatismo… Estas são apenas algumas medidas que facilitariam a relação público-artista local.

COMPETIÇÃO

Devemos tirar da mente a ideia da competição entre os emecees do interior do país, versus os de Luanda. Cada um deve saber o que quer, onde quer e procurar meios para isso. Luanda é a capital e o centro das decisões de tudo, como há noutros países, exemplos como a cidade de São Paulo e Rio de Janeiro ou de Lisboa e Porto, os rappers e outras pessoas de outras cidades se destacam mais e melhor se estiverem numa dessas grandes cidades, é assim em todo mundo.