Na Tanzânia, os artistas não correm riscos. O forte conservadorismo acaba por funcionar como uma auto-censura e quem consegue sair “fora da caixa” acaba por não ter outros meios de exposição que não sejam as redes sociais. É o caso do fotógrafo comercial Osse Greca Sinare, que usa os seus perfis no Instagram e YouTube para partilhar os truques da sua profissão, tutoriais e dar a sua visão da comunidade que o rodeia.

“O criativo na Tanzânia tem que ser muito diferente”, explica Sinare ao Design Indaba. “O seu mercado-alvo é o expatriado ou o tanzaniano que está no estrangeiro e que pode entender o que é que aquela imagem te faz sentir.” No seu país é difícil encontrar um verdadeiro apreço pelo artesanato.

“A parte difícil é que as pessoas não entendem realmente o que estamos a fazer e as pessoas realmente não o respeitam como se eu fosse um médico ou um advogado”, diz. “Tive que usar fatos para ir a reuniões com clientes corporativos porque é a única forma de eles entenderem que eu sou um profissional. Depois de dois anos construindo a reputação, agora posso usar uma t-shirt porque já viram o trabalho que criamos.”

Na adolescência, o fotógrafo estudou na Suazilândia e o curso superior em Computação de Negócios fê-lo na Malásia. Somente depois descobriu o design gráfico e fotografia.

Entretanto, criou o OGS Studios, um estúdio de fotografia comercial em Dar es Salaam, onde já fez projetos para artistas de hip-hop da Tanzânia como Mwana FA, Vanessa Mdee e a estilista tanzaniana Ally Rehmtullah. “Mas é hora de evoluir”, diz Sinare, que recentemente também criou vários projetos na Cidade do Cabo.

“Só vir aqui mudou a minha visão para o que eu quero que o estúdio seja. Viajar ajuda a refinar a tua visão. Quando estás apenas num lugar, ficas embaçado.”

Agora, em vez de um estúdio que reage às necessidades de um cliente, ele espera entrar num espaço mais conceitual e aberto à colaboração. “Eu quero me mover mais para um espaço onde o estúdio corra por si mesmo. Eu quero criar um espaço onde tudo esteja disponível, como espaços de trabalho que unem a comunidade ”.