No meio literário PALOP, são vários os nomes de escritores que nos vêem imediatamente à cabeça como Pepetela, Ondjaki, Germano de Almeida, Agualusa ou Carlos Vaz… mas quantas mulheres enunciamos? É nessa senda que falamos de Paulina Chiziane, a primeira escritora moçambicana a publicar um romance.

Balada de amor ao vento é a primeira obra publicada de Paulina Chiziane, em 1990. O enredo do livro gira em torno dos seus testemunhos em relação às tradições do seu tempo e é hoje uma referência sobre a mulher da sociedade africana.

“É inquestionável que a denúncia da subalternidade feminina em diversas etnias do país e na sociedade moçambicana, em geral, é realizada por Paulina Chiziane”, disse em 2010 a pesquisadora Tania Macêdo. A escrita de Chiziane oferece-nos um conjunto de reflexões sobre a mulher e o ser no espaço social

“Portanto, seja dentro da temática feminina, seja fora dela, Paulina reproduz em seu texto o conflito causado pelo novo. Ou seja, o colonizado em contraponto às tradições africanas. O leitor se depara com uma literatura de reflexões sobre o ser no espaço social. Não só isso, o mesmo leitor a busca pelo entendimento de sua função nesse ir e vir de corpos”, podemos ler no site Homoliteratus.

Na contracapa da edição portuguesa de Niketche, uma história de poligamia (2002), o seu livro mais popular, há uma fala da escritora esclarecendo o próprio processo no mundo literário:

“Dizem que sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance (Balada de amor ao vento, 1990), mas eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte. Nasci em 1955 em Manjacaze. Frequentei estudos superiores que não concluí. Actualmente vivo e trabalho na Zambézia, onde encontrei inspiração para escrever este livro”, explica a própria autora.