A morte do rapper luso-caboverdiano José Carlos Cardoso, mais conhecido como Puto G, levantou muitas questões quanto à segurança do lago onde se afogou, no Luxemburgo. O assunto foi levantado pelo deputado Franz Fayot.

Puto G morreu afogado no dia 30 de junho, no lago de Remerschen, que no verão é recorrentemente utilizado como local de diversão. A 20 de agosto, uma investigação do semanário Contacto revelou um atraso na chamada de socorro no local pelos responsáveis do lago, mesmo depois do apelo dos amigos do músico. A investigação levou os deputados socialistas Alex Bodry e Franz Fayot a questionar o governo sobre a segurança do local.

Um mês após a morte de Puto G, um cidadão búlgaro, de 53 anos, afogou-se no mesmo local, onde cartazes alertavam para o perigo, visto não existir vigia ou nadador salvador.

Nicholas Schmit, ministro do Trabalho, afirmou que existe “um inquérito em curso” para apurar se houve ou não uma omissão de auxílio, pelo que “o Governo [se] abstém” de se “pronunciar sobre as circunstâncias em que os afogamentos se produziram”.

Algumas das perguntas feitas pelos deputados ao governo ainda não tiveram resposta ou não esclareceram as dúvidas existentes, como as regras de segurança do lago, o acesso pago, entre outras.

“Compreendo que não possam dizer nada sobre as circunstâncias do acidente, que estão cobertas pelo inquérito penal. No entanto, há respostas da autarquia de Schengen que não me convencem”, criticou Fayot.

Tom Weber, vereador responsável, confirmou ao jornal Contacto que nenhum membro do pessoal empregue pela autarquia de Schengen, para vigiar o lago, dispõe de certificação de nadador-salvador. E de acordo com o autarca, que tutela a gestão do lago, os funcionários teriam apenas um curso de primeiros-socorros e um diploma de “Freischwimmer” (certificado de natação), que não é reconhecido pela Federação Luxemburguesa de Natação e Salvamento (FLNS) e não permite exercer a função de salva-vidas em Luxemburgo.

“pergunto-me o que quer dizer ‘NADADOR salvador'”

Nesta segunda-feira em resposta aos deputados, o ministro do Trabalho salientou que “o Governo pediu várias vezes as informações solicitadas à autarquia de Schengen”, que foram “fornecidas finalmente” em 22 de outubro, acrescentou ainda que “a pessoa presente no momento dos factos, responsável pela vigilância”, tem “uma grande experiência de trabalho no local” e “dispõe de vários diplomas e certificados de competências, incluindo nomeadamente o de “salvador'” ou do certificado “2h-natação-não-stop”, além de diversos estágios efetuados, como o de primeiros-socorros”.

Para Franz Fayot a resposta não foi convincente: “pergunto-me o que quer dizer “nadador salvador” entre aspas e o que é o curso de 2h-natação-non-stop”, questionou. “Não há resposta clara sobre se havia salva-vidas com as qualificações necessárias”, acrescentou.

Segundo a Federação Luxemburguesa de Natação e Salvamento, para exercer a função de salva-vidas é necessário ter um diploma emitido pela Chambre des Métiers, que se obtém após um curso de três anos.

A resposta da autarquia não esclarece qual o tipo de diploma em causa, e, quanto ao certificado “2h-natação-não-stop”, o responsável pelos certificados de formação na FNLS, André Muller, disse à Lusa não saber do que se trata.

Uma das questões feitas ao governo foi sobre “as condições que um concessionário de uma zona de banhos deve preencher em matéria de segurança”. Ao qual o ministro respondeu que a exploração de um lago depende de uma autorização governamental para “zonas de banho exploradas comercialmente”, e , para estes locais, “não há condições de segurança geralmente aplicáveis”, devendo estas ser “determinadas caso a caso na autorização, própria a cada tipo de estabelecimento”, mas sem esclarecer no entanto as que foram estabelecidas na autorização emitida à autarquia de Schengen.

“As algas infestaram o lago de Remerschen”

O deputado lamentou que “neste caso, também não há resposta ministerial”. “As algas infestaram a tal ponto o lago de Remerschen que é perigoso banhar-se em alguns locais, nos quais as pessoas arriscam enredar-se nas algas e afogar-se”, defendendo que, a ser assim, “conviria proceder regularmente e rapidamente à sua limpeza”.

As algas “Elodea canadensis” – são uma espécie que invadiu o lago de Remerschen, segundo um relatório de 2011 do executivo, e que são um forte perigo e indício de afogamento.

O ministro em resposta disse apenas que a regulamentação nacional para interditar os banhos “se limita aos critérios sanitários”, caso as análises à água revelem a presença de micro-organismos tóxicos.