O Teatro Griot é uma companhia de atores, exclusivamente negros, que quer contornar a falta de diversidade étnica nos palcos portugueses, colocando em cada encenação histórias e perspetivas que diferem da habitual visão paternalista ocidental.

Assim surge a peça “Que ainda alguém nos invente”, inspirada na história de rainha Nzinga, a heroína angolana conhecida pelo combate feroz contra o colonialismo português, que viveu entre os séculos XVI e XVII.

Nas palavras da atriz Zia Soares, a encenação dá-nos uma perspetiva que não está escrita na maior parte dos textos que retratam a vida da rainha, “que não são muitos, e na maior parte deles escritos por colonizadores, ocidentais, e nunca de um ponto de vista do colonizado.”

O texto da peça incide fundamentalmente sobre a pessoa em si e não a heroína que quase todos conhecemos. “O que quisemos foi trazer a dimensão humana desta mulher, porque ela é muito apresentada como uma heroína, divinizada, sacralizada. E nós quisemos trazer a mulher, quem era a Nzinga, esta mulher que teve marido, qual era a relação com o marido, com o pai…”

As cenas vão viajando pelo tempo, num cruzamento entre o passado e o presente.

“Que ainda alguém nos invente”, com texto de Ricardo P. Silva e encenação de Paula Diogo,  conta com os atores Daniel Martinho, Gio Lourenço Matamba Joaquim e Zia Soares e vai estar em cena até ao dia 23 de setembro, no Teatro do Bairro, em Lisboa.