“Enquanto vivemos numa época em que a divisão é a norma; quando preconceitos e crenças parecem estáticos e imóveis; quando a ciência dura é discutível; quando o jornalismo é desvalorizado; quando a humanidade é despojada das celas [penitenciárias], centros e abrigos; quando tudo é simplesmente demasiado para nos organizarmos, a arte exige otimismo dentro de nós e nos convida a respirar.

O dia em quando fui convidada para esta edição, a edição especial da TIME dedicada ao otimismo, foi um dia particularmente triste. As grandes manchetes eram fanatismo, pobreza, injustiça, trauma, desordem. Pesei os meus próprios sentimentos de desespero e dúvida contra a ideia de me divertir num experimento dedicado ao otimismo. A escolha foi fácil. Eu queria explorar o outro lado.”

Começa assim o editorial de Ava DuVernay, realizdora nomeada a um Óscar, diretora do filme Selma, 13th e de A Wrinkle in Time, publicado no especial da nova edição da revista TIME, nas bancas a 18 de fevereiro.

Na publicação, Ava e a equipa editorial quiseram sobretudo explorar a representação negra na arte, nas suas mais diversas vertentes, onde o ponto central é o otimismo. “A arte é digna do nosso interrogatório e é de fato um antídoto para os nossos tempos. É vital entendermos que a conexão social, política e histórica das experiências traumáticas pode e deve ser transformada num engajamento verdadeiro entre todos. Um compromisso não impregnado de medo e separação, mas de conhecimento, reconhecimento e contentamento. A arte instiga tudo isso”, escreveu a breve editora.

Nesta nova edição da revista descortinam-se histórias de fotógrafos, autores, atrizes, poetas e pintores “que usam a arte como uma arma para o otimismo dinâmico”.

Um desses artistas é Cicely Tyson, que 45 anos depois de receber uma indicação ao Oscar pelo seu papel de Rebecca Morgan, em Sound, recebeu finalmente uma estatueta, o Óscar honorário, em novembro de 2018, aos 93 anos. Tyson falou à TIME sobre a sua arte, o seu otimismo e por que motivo nunca se reformará.

 

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Uma das versões da capa da publicação – a primeira é estrelada por Cicely Tyson – tem a assinatura do artista sul-africano Nelson Makamo.

Makamo é um artista talentoso e premiado, que contribuiu para esta capa com uma das suas características pinturas a óleo. O titulo da obra que exibe o rosto de uma criança é “Visão de um futuro sem limites”. Esta foi a primeira vez que Makamo editou uma capa de revista. “Isso assustou-me porque apesar, de trabalhar há muito tempo, parecia um começo”, disse Makamo, ao sentir que esta pintura traria o seu trabalho para uma nova audiência internacional.

O artista de 36 anos escolheu esta pintura porque é “algo com que todos podem se relacionar”.

A Arte do Otimismo, como é intitulada a edição, traz à luz do dia “34 pessoas que estão a mudar a nossa forma de ver o mundo”.