Fotografia: Fábio Teixeira
Vídeo: Eddie Pipocas

 

Já é corriqueiro chamar Selda de a Morena de Cá, mas é impossível não ligar a cantora ao nome do seu primeiro, e até ao momento único, álbum. Lançado em 2012, o sucesso de Morena de Cá deixa um pesado legado para o seu sucessor. A cantora angolana está em Lisboa a preparar o seu novo trabalho e a BANTUMEN  foi saber mais sobre o que vamos poder ouvir brevemente.

Nos trilhos da música desde os 12 anos e um álbum lançado, Selda é a lufada de ar fresco de um music hall saturado de música pop, kizomba e ghetto zouk. Apesar de as criticas apontarem sempre na mesma direcção, a cantora que actua de pés descalços sempre acreditou que o seu talento e essência conquistariam o público. Assim foi. “Todo o mundo dizia, ‘Selda acho que devias fazer outros estilo de música porque os angolanos não ouvem isso. Devias fazer kizomba ou zouk.’ Eu acho que quando as coisas são verdadeiras, as pessoas recebem-nas da mesma forma. Foi tão espontâneo e verdadeiro que as pessoas receberam-no com o mesmo amor com que o fiz para eles. Fiquei estupefacta com o estrondo que o Morena de Cá teve. Uma rapariga a fazer um tipo de música que ‘quase ninguém ouve’. As pessoas ouvem sim. Estive à venda na Praça da Independência e no Belas Shopping e vendi mais de dez mil cópias nos dois dias. Para mim, não podia ter melhor prova do que essa”, disse-nos.

Falar sobre o seu estilo de música não é fácil. As influências cheiram-nos a Morna de Cabo Verde, a Bossa Nova do Brasil, a Massemba de Angola e a Jazz do mundo. A própria Selda prefere não se definir como cantora de um único estilo. “Quando me perguntam sobre o meu estilo musical, costumo dizer que sou artista. Um artista nada mais do que é o que lhe vem à alma. Não gosto de logotipos ou estar a ser carimbada como ‘a Selda canta isto’. Gosto de fazer música e música de vários tipos.”

Sobre o novo álbum que está a preparar nos estúdios da Big Bit, em Lisboa, a artista avança-nos que vamos ouvir uma Selda diferente de a que conhecemos em 2012, com Morena de Cá. “Claro que vai ser uma Selda um pouco diferente. Passaram cinco anos, aconteceu muita coisa, aprendi muita coisa e o artista vive muito em volta de tudo o que se passa à volta dele. Vamos ter uma Selda mais crescida, mas a essência mantém-se.”

Vê abaixo a entrevista em vídeo.

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.