Spike Lee lança filme controverso sobre os KKK

A história retrata a vida de um polícia afro-americano que conseguiu infiltrar-se no grupo Ku Klux Klan.

O novo filme do visionário cineasta Spike Lee, Blackkklansman, enfatiza os problemos raciais passados e ainda recorrentes nos Estados Unidos.

O filme, que conta com a participação de Jonh David Washington, estreia nos Estados Unidos no dia 10 de agosto, e dia 6 de setembro em Portugal, já mostrou ter sucesso entre os espectadores. Blackkklansman recebeu 97% de votos positivos na plataforma Rotten Tomatoes e foi recentemente nomeado pelo público como um dos melhores filmes do ano.

A estreia do filme criou polémica, não só porque fala sobre um assunto ainda tabu nos EUA, o racismo, mas também porque estreia um dia antes da 11 de Agosto, dia em que no ano passado centenas de Neo-nazis, supremecistas brancos e Alt-right se juntaram em frente à Casa Branca, como forma de protesto contra a remoção da estátua de um antigo líder da Confederação, união política esclavagista. O protesto acabou de forma violenta, resultando na morte de Heather Heyer.

A história retrata a vida de um polícia afro-americano que conseguiu infiltrar-se no grupo Ku Klux Klan.

Todo o cenário leva-nos aos anos 70, altura em que a atividade do grupo de ódio foi mais sentida mas, apesar de Spike Lee ter decidido recriar a história em 1970, muitos dos problemas representados no filme ainda são frequentes na América de hoje.

Na parte final do filme, Spike Lee adiciona um clipe dos protestos em Charlottesville, mais precisamente a parte do acidente propositado, que abacou por causar a morte de Heather. Prova de que Spike fez o filme a pensar nos tempos que correm.

Spike Lee não esconde as suas ideologias e admite que o objetivo do projeto polémico é celebrar o orgulho negro como uma arma contra o KU KLUX KLAN, que apesar de ilegal continua a ter adeptos ao longo dos EUA.

Carregado de comédia, declaraçōes ausadas, penteados afros enormes e calças funky, este filme demonstra a total essência do trabalho de Lee, que consegue abordar temas politicamente sensíveis mas sempre com uma pitada de humor, como todos os seus melhores trabalhos.