O Tchiloli, da ilha de São Tomé, é uma representação teatral não só uma história de morte e traição, mas também uma expressão das artes africanas, que explora a música, o movimento e o corpo como dispositivos de comunicação.

De acordo com Maria Nazaré Ceita, Coordenadora da Comissão Nacional para a Salvaguarda do Património Imaterial e Material de São Tomé e Príncipe, o espectáculo tradicional Tchiloli, poderá vir a ser em breve um património mundial. A intenção e os passos para isso estão em marcha.

Foto: Odisseias nos Mares / Tchiloli
Foto: Odisseias nos Mares / Tchiloli – São Tomé e Princípe

A boa nova foi anunciada no Fórum Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa que se realizou no Centro de Convenções e Entretenimento da Torre de Macau, no verão do ano passado, mas só depois disso começou a trabalhar com a Secção do Património Cultural Intangível da UNESCO, no intuito de tornar real esta pretensão do seu país, de acordo com o comunciado de Maria Nazaré Ceita.

“O foco principal será o teatro popular Tchiloli, que recria, a milhares de quilómetros de distância, o romance medieval europeu Tragédia do Marquês de Mântua e do Imperador Carloto Magno. Uma tragédia feita de ódios, calúnias, traições, paixões e conflitos morais, que apaixona o público, mas também os atores, que se entregam e encarnam de forma notável as personagens” acrescentou.

As autoridades santomenses garantiram que está a ser feito um inventário dos locais e fenómenos culturais passíveis de protecção, como é o caso do bairro da Boa Morte, na capital. Dos vários grupos que atualmente representam o Tchiloli em São Tomé e Príncipe, “A Formiguinha da Boa Morte” é o mais antigo, constituído a 21 de janeiro de 1956.

Foto: Rádio Somos Todos Primos / Tchiloli - São Tomé e Princípe
Foto: Rádio Somos Todos Primos / Tchiloli – São Tomé e Princípe

“Para mim, se esta candidatura for efectivada e considerada como o Património Imaterial da Humanidade, pela primeira vez, dali para frente a preservação e manutenção cultural local, terá de ser vista com outros olhos, com olhos mais refinados,” disse-nos o santomense Hamilton Trindade.

Abaixo podes conhcer um pouco do que é a arte Tchiloli: