Fora o Nokia 3310, que provavelmente o telemóvel mais resistente que já nos passou pelas mãos, outros dispositivos também podiam durar vários anos, pelo menos 12, para sermos mais precisos. Mas só se os fabricantes quisessem, e enquanto isso não acontece ou não são aprovadas medidas penalizadoras, os consumidores saem a perder.

Com certeza já te deves ter perguntado porque razão a roupa, electrodomésticos ou os smartphones parecem ter uma durabilidade cada vez mais reduzida. O objetivo é claro: aumentar a dependência do cliente e estimular a venda.

Segundo Benito Muros, presidente da Fundação Energia e Inovação Sustentável sem Obsolescência Programada, “absolutamente todos os fabricantes de telemóveis fazem isto neste momento”. Em declarações ao El País, explica ainda que a vida de um telefone hoje em dia é de dois anos, depois disso será certo que começa a dar problemas e as reparações custam, normalmente, até 40% do que custaria comprar um novo.

“Caso a obsolescência programada não existisse, um telemóvel teria uma vida útil de 12 a 15 anos”, afirma.

A Samsung foi multada no valor de cinco milhões de euros e a Apple no valor de 10 milhões, multas impostas pela a Autoridade Italiana de Concorrência e Garantia de Mercado, por obrigarem os clientes a fazer atualizações de software que deixam os aparelhos mais lentos.

As empresas são acusadas de levar a cabo “práticas comerciais desleais” e que causam “disfunções sérias” nos dispositivos.

Todos os anos as pessoas mudam de telemóvel, mas antes não era necessário tal mudança uma vez que os primeiros aparelhos tinham uma vida útil de até seis anos. Alodia Pérez, responsável pelos Recursos Naturais e Resíduos da organização Amigos da Terra afirmou que “vivemos na era da obsolescência programada. Não apenas em telemóveis, mas também em móveis, calçado ou eletrodomésticos. As máquinas de lavar roupa que nossos pais tinham durado 20 ou 30 anos e agora duram pouco mais de sete”, referiu ainda de que se trata de uma estratégia de mercado para poder continuar a vender.

Enquanto em países como Itália ou França, as leis já estão em andamento para proibir esse tipo de prática, nos restantes, como é o caso de Portugal, não existe uma lei que penalize a obsolescência programada.