O som, a melodia e a vibe que uma música nos transmite é universal, não importa quem seja o cantor(a) e a sua orientação sexual. A música também é capaz de mudar mentalidades e uma sociedade. Outrora, alvos de chacota, agora das artistas mais aplaudidas em Angola e no Brasil, falamos de Teca Miguel Garcia, Titica, e Phabullo Rodrigues da Silva, Pabllo Vittar.

Titica é uma cantora, compositora e dançarina angolana cujo nome, dentro do estilo kuduro, começou a ganhar popularidade a partir de 2011, aquando do lançamento do seu primeiro trabalho discográfico, Chão.

Chão foi também o seu primeiro single que tomou de assalto as rádios angolanas em poucos meses, o que lhe rendeu o prémio de artista Revelação do Kuduro, entregue pela Rádio Escola.

Em 2012, Titica foi nomeada para categoria Melhor Artista Feminina da África Austral do KORA All Africa Music Awards, uma das principais premiações de artistas de música no continente africano.

Titica não parou por aí e continuou o trabalho árduo num país que muitas vezes a agredia pela sua orientação sexual. É reconhecida pela sua luta pela igualdade de género e o direito das pessoas LGBT em Angola e fora, sendo Embaixadora Nacional da Boa Vontade pela UNAIDS – programa da Organização das Nações Unidas organizado para combater a epidemia de AIDS.

Sendo uma transexual, a artista faz questão de frisar a sua “condição” e nunca baixar os braços na luta por aquilo em que acredita e, da mesma forma, tornou-se num ícone e incentivo para outras pessoas vitimas tal e qual como ela foi. E a sua contribuição tem sido notável, tendo-lhe sido foi prestada homenagem no 7th Annual Chevrolet Feather Awards com a distinção de African Feather of the Year.

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A sua música é ouvida e dançada à volta do mundo, desde Angola, Portugal, África do Sul, Brasil, Alemanha, Estados Unidos da América, França e Brasil, onde foi convidada a actuar no Rock in Rio Brasil 2017. Titica não se cinge apenas por um estilo musical mas por vários, como: Kuduro, afrohouse, kizomba e semba, o que lhe rendeu várias nomeações e prémios.

Numa viagem de Angola rumo ao Brasil, temos Pabllo Vittar que tal como a Titica é cantor, compositor e drag queen.

O trajeto de Pabllo aconteceu mais tarde, mas com o mesmo entusiasmo e esforço. 2015 foi o ano em que ganhou notoriedade no Brasil após ter lançado a música e videoclipe de “Open Bar” que atingiu um milhão de visualizações no YouTube em apenas um mês, um marco bastante importante para um cantor que ninguém conhecia.

No mesmo ano, com o sucesso da música, o artista lançou o seu primeiro EP, Open Bar, e a sua primeira tour onde ganhou fãs e muita visibilidade no meio LGBT do Brasil. A tour aconteceu até 2016 com um total 120 apresentações.

Com a fama chegam as críticas, Pabllo tornou-se rapidamente alvo de debates e chacota devido à sua forma de estar, vestir e cantar. Mas por outro lado, a fama trouxe a Vittar o lugar de ícone gay e de ser um “símbolo de resistência” segundo o jornal The Guardian.

Pabllo em entrevistas disse: “nunca senti a necessidade de optar por um nome feminino porque, quando decidi fazer drag, queria passar verdade através da minha arte, música, do que acho que sou. Pabllo me representa de uma forma que você não tem noção. Acho que, se eu tivesse um nome feminino, não ia passar tanta verdade. Não gosto de me trancar em uma caixa. Gosto de ser afeminada, de ser isso aqui, de sair na rua às vezes de boné. Gosto de ser o que quiser ser”.

Em 2017 lançou o segundo álbum de originais, Passar Mal, com singles como “Todo Dia”, “K.O.” e “Corpo Sensual”, além de sua participação na canção “Sua Cara”, de grupo Major Lazer e Anitta.

E no mês de Maio deste ano, Pabllo Vittar criou o seu próprio programa, “Prazer, Pabllo Vittar”, que fala da sua infância, dos seus ídolos e da construção da sua carreira artística. O programa foi também premiado pela Rose D’or Awards, na categoria de Entretenimento.

Pabllo com apenas dois álbuns já ganhou prémios como Prémio Multishow de Música Brasileira – Voto Popular: Fiat Argo Experimente e prémio de Música do Ano de 2017 com o hit “K.O”.

Após várias conversações nas redes sociais, entrevistas de ambos e a pedido de alguns fãs, Titica e Pabllo juntaram-se para a música “Come e Baza” com a produção de Banzelos Nation. A música fala de uma relação em que não existe amor, onde o objectivo é apenas ter relações e depois “bazar”.