Titina Silá, uma das mais proeminentes lutadoras pela libertação da Guiné-Bissau das malhas do colonialismo português, morreu a 30 de janeiro de 1973, durante a travessia do Rio de Farim, no norte do país em pleno período de combate. Em sua homenagem, a Guiné-Bissau celebra anualmente neste dia a Mulher Guineense.

Ernestina, o seu nome verdadeiro, deu o seu sangue pelo combate e formação de milícias. Carismática, a jovem Titina conquistava todos os que conhecia.

Em 1963 esteve na Guiné-Conacri, fez um estágio político na União Soviética, e voltou à sua terra natal, onde deu formação à guerrilha, mas em 1964 já estava de volta à União Soviética para estudar socorrismo.

“Era uma lutadora incansável, amável, simples, uma pessoa excepcional e uma grande patriota”. As palavras são de Teodora Inácia Gomes, deputada guineense do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que partilhou esses anos de combate com Titina.

A morte de Titina aconteceu a 30 de Janeiro de 1973, quando se dirigia à Guiné-Conacri para assistir ao funeral de Amílcar Cabral, morto uma semana antes. Teodora recorda que Titina foi vítima de uma emboscada, levada a cabo por militares portugueses que a afogaram no rio Farim, no norte da Guiné-Bissau.

Para honrar a vida e luta da combatente e de tantas outras mulheres que lutaram, e lutam, pela sua pátria, a Guiné-Bissau declarou que a cada 30 de janeiro assinala-se o Dia da Mulher Guineense.

Sobre a importância das mulheres na luta pela independência, numa entrevista à Comunicação Social, Teodora Gomes não deixou margens para dúvidas, ao garantir que todas tinham formação militar e que ela própria chefiou uma equipa de 95 jovens mulheres. “Também dava aulas a explicar as razões da nossa luta e porque combatíamos a exploração capitalista”, explicou ainda a deputada e recordou que “foram muitas as mulheres que deram a vida pela independência da Guiné-Bissau.”