O projecto Turbante-se chegou esta quinta-feira, 9, a Lisboa, e encheu o LxFactory de cor, paixão e energia Africana.Para quem ainda não conhece o projeto e tem curiosidade em saber, passamos a explicar.

O movimento Turbante-se começou em Salvador, Bahia, em 2012 e é fruto do trabalho e inspiração da designer baiana, Thaís Muniz. Thaís é conhecida pelos seus tutoriais em vídeos que ensinam como amarrar um turbante, divulgados nas redes sociais, mas a sua história e o que a levou a criar a marca, também são motivos de reconhecimento.

A marca foi inspirada pelo ambiente onde cresceu, Bahia, mas principalmente, pelas mulheres negras da diáspora. As mulheres negras no Brasil sempre foram discriminadas, ora por terem o cabelo mais crespo ora por usarem um lenço amarrado à cabeça, e o facto de algumas terem conseguido ignorar o preconceito e mesmo assim terem continuado a usá-lo, faz do turbante um sinal de resistência e empoderamento. E é essa a mensagem que Thaís quer passar.

No seu workshop, Muniz não só explica como desconstruir o nosso visual celebrando as nossas raízes ainda é um debate bastante presente na comunidade afro-descendente, como também explica o seu ponto de vista em relação à apropriação cultural que enfrentamos nos dias de hoje.

Turbante-se
Foto: BANTUMEN

Thaís explica que usar o cabelo natural ou indumentárias de pano tradicional africano já não são práticas desdenhadas e são cada vez mais aceites pela sociedade, o que é motivo de celebração. Mas tal como o cabelo natural, uso de turbante ou lenço também tem vindo a ser mais aceite, mas que não deveria ser usado em vão, devido à história por trás das origens do turbante.

O objectivo principal do Turbante-se é inspirar mulheres e homens negros e durante o workshop Thaís revela o incómodo que sente em ver uma mulher branca com um headwrap: “quando eu vejo uma mulher branca com um pano amarrado à cabeça, de estilo africano, isso deixa-me desconfortavel”. Uma sensação que Muniz descreve ser confusa mas que sente vivamente.

Ela explica que durante as viagens que fez para o projeto, conheceu várias mulheres que partilharam com ela a discriminação que sofreram ao usar o turbante, estilo africano, quando este ainda não era considerado fashion. A dor e humilhação passadas por usarem algo tipicamente africano, se transfomou em padrōes e cores e se fundiu nas formas bonitas que o turbante faz quando é montado à moda africana.

A discriminação foi passada pelas mulheres negras e é a esse ponto que Thaís quer chegar. O pano amarrado, que é considerado por ela como uma coroa, foi consquistado com muita luta, dor e força, e que por esse mesmo motivo, deveria ser usado pelas guerreiras que lutaram pela liberdade de poder usá-lo. As mulheres negras.

A empreendedora explica também que existem várias formas de usar o pano que não sejam tipicamente africano.

O evento terminou com uma aula ao vivo em que várias mulheres se juntaram para recriar alguns dos estilos que podem ser encontrados nos famosos vídeos de Thaís.