Aires Muscate quer fazer de Setúbal uma plataforma internacional de moda e oportunidades

September 6, 2026
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Aires Muscate, criador do Setúbal Fashion Show | DR

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Quando Aires Muscate chegou pela primeira vez a Setúbal, não vinha à procura de um lugar para criar um evento de moda. Tinha sido convidado por uma amiga francesa para celebrar um aniversário na praia, mas a relação com a cidade começou quase imediatamente, através de uma paisagem que lhe era familiar.


A proximidade do mar fez-lhe recordar a Guiné-Bissau e, em particular, o arquipélago dos Bijagós, de onde é originário. Pouco depois, decidiu mudar-se para Setúbal. Dessa aproximação à cidade viria a nascer o Setúbal Fashion Show, pensado, nas palavras do próprio, como um espaço onde “a moda pudesse dialogar com a cultura, o talento e a criatividade”.


Aires António Gomes Muscate nasceu em Bubaque, no arquipélago guineense. Associado à Conscious Fashion, em Marrocos, e ao Tarragona Fashion Show, em Espanha, projetos que ampliaram a sua rede entre modelos, criadores e outros profissionais do setor, construiu um percurso que liga a moda, a escrita e a direção artística. É também fundador da Conscious Fashion e está ligado a outros projetos de moda fora de Portugal.

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Edição anteriores do Setúbal Fashion Show | DR 

Agora, o Setúbal Fashion Show prepara-se para a quarta edição, marcada para os dias 11, 12 e 13 de setembro de 2026, na Casa da Baía. Sob o tema “Conexões e Futuro”, a organização anuncia 45 modelos, dez designers nacionais e internacionais e participantes de mais de 20 nacionalidades.


“Aquilo que considero mais importante não é apenas o número de participantes ou de nacionalidades. É a comunidade que fomos criando à volta do evento”, afirma, em entrevista. A dimensão internacional, explica, resultou em grande parte das relações acumuladas ao longo do seu próprio percurso profissional como modelo, diretor artístico e produtor de eventos.


“Muitos dos convidados internacionais são pessoas que me conheceram como modelo, director artístico e produtor e que acreditam na minha visão”, explica. O contacto internacional já estava presente no projeto desde o início. A primeira edição do Setúbal Fashion Show realizou-se em 2024, também na Casa da Baía, com a intenção declarada de aproximar criadores portugueses e nomes internacionais e, simultaneamente, promover o património natural e cultural da região. 


Dois anos depois, a organização procura ampliar essa lógica. “Conexões e Futuro”, explica Muscate, traduz a intenção de aproximar nacionalidades diferentes, mas também tradição e inovação, criadores e público, cultura e moda e, sobretudo, Setúbal e outros circuitos internacionais.


“Gostaria que um modelo conhecesse um novo criador e desenvolvessem trabalhos no futuro, que um designer encontrasse uma oportunidade nacional ou internacional através da visibilidade que o evento lhe dá, que um parceiro descobrisse um novo talento”, conta.


É também por isso que resume a ambição numa frase: “O verdadeiro futuro do projeto é aquilo que conseguimos construir depois de as luzes se apagarem.”


O programa da quarta edição foi construído para levar parte da experiência para além da passerelle: inclui visitas a pontos da cidade, palestras, momentos dedicados à criação de contactos e sessões fotográficas em diferentes locais de Setúbal.  O dia 11 será dedicado ao contacto com a cidade, à reflexão e aos ensaios. A 12 de setembro realiza-se o principal desfile, incluindo a apresentação de colecções de jovens criadores e a atribuição do Prémio Jovens Designers. O último dia será dedicado, entre outras atividades, a produções fotográficas e ao encerramento da edição. Segundo a organização, a programação integra ainda música e entretenimento.

“O verdadeiro futuro do projeto é aquilo que conseguimos construir depois de as luzes se apagarem”

Aires Muscate

É uma estratégia que procura associar moda e promoção territorial. Muscate defende que Setúbal reúne condições para se afirmar também através das indústrias criativas: a relação entre mar e serra, a cultura local, a gastronomia e a própria comunidade são elementos que pretende integrar na experiência oferecida aos participantes.


“Queremos que os participantes internacionais não vejam Setúbal apenas como o local onde acontece um desfile, mas como uma cidade onde vale a pena estar, criar, investir, regressar e, porque não, viver”, diz. A ambição de ligar o evento ao território acompanha o Setúbal Fashion Show desde a primeira edição. Em 2024, Muscate já afirmava querer utilizar a moda para divulgar a história, o património e a riqueza natural da região. 


O fundador atribui também uma dimensão social ao projeto e aponta o aumento de candidaturas aos castings e a presença de crianças e modelos seniores como sinais de uma participação mais alargada da comunidade. “Vemos crianças e modelos seniores a tentar a sorte para viver um sonho de infância. Permitimos aos setubalenses sonhar e isso é um impacto social”, afirma.


Agora, a ambição é a futura criação da Setúbal Fashion Academy, uma estrutura que, segundo o fundador, deverá proporcionar formação de modelos e acompanhamento a jovens designers, fotógrafos, videógrafos e outros profissionais ligados ao setor.

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©Yamada 

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©Yamada 

“O desfile é o momento mais visível, mas não queremos que o Setúbal Fashion Show exista apenas três dias do ano”, explica Muscate. A intenção passa por promover castings, formação, produções, editoriais e colaborações com marcas e entidades públicas e privadas ao longo do ano, criando uma continuidade que a natureza episódica de um desfile dificilmente consegue assegurar.


É também aí que se encontra um dos principais desafios do Setúbal Fashion Show depois de quatro edições: transformar contactos e visibilidade temporária em oportunidades profissionais duradouras e demonstráveis. Muscate reconhece que esse caminho ainda está a ser construído, mas acredita que a quarta edição representa mais um passo para que o projeto deixe de ser identificado exclusivamente como um evento de moda e passe a funcionar como uma plataforma.


A ambição é grande, mas talvez seja precisamente essa geografia que melhor explique a identidade que Muscate procura construir: um projeto pensado a partir de Setúbal, alimentado por uma trajetória que começa nos Bijagós e assenta na circulação entre diferentes cidades, culturas e profissionais.


No final, o fundador regressa à ideia que atravessa toda a edição de 2026: “Queremos que a moda seja o ponto de partida para algo maior: criar conexões, gerar oportunidades e construir futuro.

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