De cabras animadas em Santo Antão a baobás no Recife, estes 6 filmes lusófonos vão estar no CineEco 2026

September 1, 2026
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Filme "O Ninho", um dos selecionados CineEco | DR

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O CineEco, Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, regressa a Seia entre os dias 9 e 17 de outubro, para a sua 32.ª edição. São 87 filmes de 34 países distribuídos por várias competições e sessões especiais, entre ficção, documentário e animação, com histórias que abordam algumas das principais questões ambientais da atualidade.


Entre a programação deste ano, Cabo Verde chega ao festival com quatro curtas-metragens de animação, As Cabrinhas, Pé de Mot, O Ninho e As Lulas Viajantes, realizadas por alunos de escolas básicas de Porto Novo, em Santo Antão. Angola está representada por Baía dos Tigres, de Carlos Conceição, e do Brasil chega Jardim Ancestral, curta que cruza natureza, ancestralidade e memória negra através dos baobás do Recife.


A BANTUMEN selecionou seis produções de Cabo Verde, Angola e Brasil para acompanhar no CineEco 2026.


As Cabrinhas


Com menos de dois minutos, As Cabrinhas parte de um elemento muito presente na paisagem cabo-verdiana para falar de território e natureza.


A animação foi criada por alunos da Escola Básica Chã de Mato, em Porto Novo, Santo Antão, e integra o projeto Txiluf, desenvolvido pela Associação Olho Largo, que utiliza o audiovisual e a animação como ferramentas de educação ambiental junto de crianças.


Pé de Mot


Também realizada por alunos da Escola Básica Chã de Mato, Pé de Mot olha para as consequências provocadas quando o equilíbrio de uma floresta é interrompido.


A curta é assinada por Anderson Alves, Denzel Lopes, Djeiney Pires, Elodie Assenção, Edson Jesus e Laís Santos e, apesar da curta duração, coloca em discussão uma das questões centrais do festival, a relação entre a intervenção humana e a preservação dos ecossistemas.


O Ninho


Da Escola Básica Ribeira Fria, também em Santo Antão, chega O Ninho, animação em stop motion realizada por Adircia Gomes, Lisiane Dias, Mabel da Graça e Miriam Fonseca.


O filme nasceu igualmente no âmbito do projeto Txiluf, que coloca as crianças não apenas como público de conteúdos sobre ambiente, mas como autoras das próprias narrativas sobre o território onde vivem.


As Lulas Viajantes


Em As Lulas Viajantes, o olhar muda da terra para o oceano.


Produzida na Escola Básica São Francisco de Assis, a curta acompanha animais marinhos perante ameaças ao seu habitat e transforma a defesa do oceano no centro da narrativa. A animação é assinada por Edgar Alves, Edson Rocha, Lais Cruz, Leila Assunção e Keila Assunção.


A seleção conjunta de As Cabrinhas, Pé de Mot, O Ninho e As Lulas Viajantes coloca quatro trabalhos realizados por crianças de Porto Novo na programação competitiva do CineEco e mostra também como o cinema pode funcionar como ferramenta de educação ambiental desde cedo.


Baía dos Tigres


Angola surge na programação através de Baía dos Tigres, de Carlos Conceição, integrado na competição de Longas-Metragens em Língua Portuguesa.


O documentário parte de ideias como memória, regresso, culpa e transformação para construir uma reflexão sobre a relação entre o ser humano, o território e aquilo que permanece depois da partida. Mais do que abordar o ambiente de forma convencional, o filme utiliza a paisagem como espaço de memória e confronto com o passado.


Com produção de Angola e Portugal, Baía dos Tigres será exibido no CineEco a 14 de outubro, às 14h30.


Jardim Ancestral


Em Jardim Ancestral, do realizador brasileiro Mateus Guedes, os baobás do Recife tornam-se ponto de partida para uma história sobre natureza, ancestralidade e memória negra.


A curta acompanha um pai e um filho à procura de um baobá e estabelece uma ligação entre gerações, África e a população negra brasileira. A árvore surge não apenas como elemento da paisagem, mas também como símbolo de resistência, continuidade e transmissão de memória.


Com cerca de 15 minutos, o filme mostra como uma discussão ambiental pode também ser uma discussão sobre identidade, história e pertença. Jardim Ancestral será exibido a 15 de outubro, às 10h30.

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