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Hanami, a primeira longa-metragem da realizadora luso-cabo-verdiana Denise Fernandes, chega hoje, 8 de julho de 2026, aos cinemas franceses. A estreia é confirmada pelo Camões Paris, pelo GNCR e pelo AlloCiné, que indicam a distribuição francesa pela Sudu Connexion e situam o filme como uma coprodução entre Suíça, Portugal e Cabo Verde, falada em crioulo cabo-verdiano, japonês, francês e inglês.
O percurso começou em agosto de 2024, no Festival de Locarno, onde Hanami teve estreia mundial na secção Cineasti del Presente. A própria Denise explicou em Locarno que quis tornar Cabo Verde visível no centro do seu primeiro filme, depois de crescer na Europa com a sensação de que o arquipélago era frequentemente apagado dos mapas. A partir daí, o filme ganhou uma trajetória rara para uma primeira longa-metragem. Em Locarno, Denise Fernandes venceu o Prémio de Melhor Realizadora Emergente e o filme recebeu uma Menção Especial na categoria Primeira Longa-Metragem. Depois vieram o Roger Ebert Award no Festival de Chicago, a Montgolfière d’Or no Festival dos 3 Continentes, em Nantes, o Ingmar Bergman International Debut Award em Gotemburgo e o prémio de Melhor Fotografia no FESPACO, atribuído à diretora de fotografia Alana Mejía Gonzalez.
Além de uma sucessão de prémios, esse percurso ajudou a fixar Hanami como um filme sobre pertença, exílio e transmissão. A história acompanha Nana, uma jovem que cresce numa ilha vulcânica de onde muitos querem partir, enquanto ela aprende a permanecer. A mãe, Nia, emigra pouco depois do seu nascimento e, anos mais tarde, o reencontro entre ambas abre a ferida íntima e coletiva da distância.
Em abril de 2025, antes da chegada às salas portuguesas, o filme regressou a Cabo Verde em sessões especiais. A longa-metragem foi apresentada na Cidade da Praia, na ilha de São Vicente e na ilha do Fogo, esta última com peso simbólico: Hanami foi rodado na ilha do Fogo, com um elenco maioritariamente composto por atores não profissionais, e a circulação pelo arquipélago foi apresentada como uma devolução do filme às comunidades que participaram na sua construção. A 15 de maio de 2025 e depois da passagem por mais de 30 festivais, Hanami chegou às salas de cinema portuguesas, com uma sessão especial no Cinema Fernando Lopes, na Universidade Lusófona, em parceria com a BANTUMEN, com conversa conduzida por Marisa Mendes Rodrigues.
A estreia francesa fecha, por agora, uma etapa e dá início a uma nova fase em que Hanami deixa de ser um filme de festival e consolida a sua circulação em sala, num país onde a presença de cinemas africanos, lusófonos e diaspóricos continua a disputar espaço.
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