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A música, quando é genuína, não obedece a calendários, ela reafirma-se como um organismo vivo que se nutre da experiência acumulada ao longo de décadas e é exatamente isso que prova o percurso de Drop Gi, artista santomense, que acaba de lançar o EP Nossa Conexão.
Este EP, assinado por Drop Gi e Cely Mendes é o culminar de uma maturidade ganha em diferentes latitudes, onde a Suíça - país onde o artista reside - surgiu como o cenário crucial para a lapidação de uma visão artística mais ampla, cosmopolita e, acima de tudo, livre das pressões dos algoritmos.
Com a arquitetura sonora de Aldo Lourenço e a chancela da Yodiss Record, o projeto mergulha nas dicotomias entre o amor e a superação, apresentando-se como um canal sagrado de transmissão de conhecimento cultural.
Para Alberto Lima, nome de registo de Drop Gi, este trabalho é um convite à reflexão, sobretudo para jovens artistas para que se sintam inspirados a acreditar na consistência e na responsabilidade de valorizar as raízes, pois, como o próprio afirma, “evoluir não significa esquecer de onde viemos”.

Drop Gi e Cely Mendes | DR
A espinha dorsal de Nossa Conexão reside na cumplicidade com Cely Mendes, uma parceria que já ultrapassa 15 anos e que o artista descreve como uma "família artística". No estúdio, a confiança mútua permite que a música surja de forma natural, sem artifícios, onde Cely não entra apenas para cantar, mas para sentir cada nota. Esta entrega visceral é o reflexo de uma trajetória que começou muito antes da globalização digital.
Drop Gi não é apenas um sobrevivente da música santomense, mas um dos seus arquitetos fundamentais. Nos anos 90, através do grupo Mito e G, o artista foi um dos pioneiros do rap em São Tomé e Príncipe, com o icónico tema "Gabriela", que marcou um antes e um depois na lírica urbana do arquipélago. Esse fôlego inicial nasceu nas cabines de DJ, uma escola que deu-lhe a sensibilidade necessária para ler o pulso do público.
Ser DJ primeiro permitiu a Drop G aprender a sentir reações e energias, uma visão que hoje aplica no estúdio, onde cada melodia é pensada em função da emoção que irá despertar no ouvinte.
A caminhada de Alberto Lima tem sido um manifesto à resiliência. Do tempo dos playbacks com Mito e G até ao momento em que o seu potencial foi reconhecido pelo empresário Fábio Pereira, o percurso levou-o a Portugal no início dos anos 2000 para gravar o álbum Sofrimento, um marco que consolidou a sua transição para a vanguarda da música do seu país.
Em 2008, a união com Cely Mendes a solo criou um novo eixo de força que resultou em obras como Dia do Homem e Rendez-Vous, pilares que foram celebrados recentemente em palcos como o da Malaposta, em Lisboa.
Hoje, ao liderar a produtora independente Drop Gi Elements e ao manter-se um eterno autodidata, Drop Gi apresenta Nossa Conexão como a prova de que a música é uma ferramenta de verdade. Vestido com uma roupagem atual e urbana, o projeto honra o passado de quem trouxe o rap para o centro do debate e oferece ao público uma experiência sonora marcada pela autenticidade de uma vida inteira transformada em arte.
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