“Retratos da Devoção” mostra o olhar de Ben do Rosário sobre uma das maiores festas cabo-verdianas em Portugal

August 7, 2026
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A festa de Nossa Senhora da Graça celebrada anualmente pela comunidade cabo-verdiana no bairro Portugal Novo, em Lisboa, deu origem à exposição Retratos da Devoção, patente no Areeiro. Através de um conjunto de fotografias captadas durante a edição de 2025 da celebração, a mostra reúne momentos de fé, convívio e identidade cultural, propondo um olhar sobre uma das manifestações mais marcantes da diáspora cabo-verdiana em Portugal.

A exposição resulta de um convite lançado ao fotógrafo Ben do Rosário pela Junta de Freguesia do Areeiro, que o desafiou a acompanhar fotograficamente a festa com o objetivo de transformar esse registo numa mostra pública. O fotógrafo faz questão de esclarecer que a iniciativa não partiu de si. "Não é um projeto meu. Foi um convite que eu recebi. A Junta de Freguesia convidou-me para fazer a cobertura da Festa de Nossa Senhora da Graça e, nessa altura, já existia a intenção de fazer uma exposição. Fiz o trabalho em agosto de 2025 e, entretanto, a Junta voltou a contactar-me para apresentar agora este conjunto de fotografias.”

O título Retratos da Devoção também não nasceu do fotógrafo, mas da curadora Rita Simões, responsável pela conceção da exposição. Ben do Rosário concordou de imediato com a proposta por considerar que traduzia o espírito da celebração. "O objetivo daquele evento é prestar homenagem à Nossa Senhora da Graça. O título fazia sentido porque converge para esse objetivo", explica.

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Embora a devoção religiosa seja o ponto de partida, a exposição procura mostrar uma realidade mais ampla. Ao longo do percurso, encontram música, dança, gastronomia e os elementos identitários que acompanham estes encontros da comunidade cabo-verdiana. “A história que eu queria contar era o mais abrangente possível, exatamente para mostrar vários aspetos da cultura da diáspora cabo-verdiana em Portugal. Quis mostrar aquilo que caracteriza estes encontros: a música, a dança, a cachupa, mas também aspetos do bairro, as roupas com referências a Cabo Verde, os lenços usados pelas mulheres e pequenos elementos que fazem parte desta identidade", afirma.

A seleção das fotografias foi construída em duas etapas. Primeiro, Ben do Rosário reuniu um conjunto alargado de imagens que considerava representar melhor a celebração. Depois, em conjunto com a curadora, foi definida a escolha final que integra a exposição. Entre as fotografias expostas, destaca uma imagem de uma batucadeira e outra de uma mão a segurar uma maçaroca de milho, símbolos que, para o fotógrafo, ajudam a contar a história da comunidade para além da dimensão religiosa da festa.


Conhecido pelos retratos que realiza ao longo da sua carreira, Ben do Rosário procurou também aproximar o visitante das pessoas que dão vida à celebração. Apesar de reconhecer que cada reportagem exige um olhar diferente, admite que os rostos continuam a ocupar um lugar central no seu trabalho. "Gosto muito de retratar pessoas. Tenho sempre tendência para fazer retratos porque é uma forma de aproximar o rosto da objetiva e de mostrar quem está por detrás de cada história”, explica.


Instalada em mupis no espaço público, Retratos da Devoção dirige-se à comunidade cabo-verdiana, mas também a quem passa diariamente pelo Areeiro. Para o fotógrafo, a exposição pode funcionar como um convite à descoberta de uma cultura que faz parte da realidade portuguesa. "O que eu desejo é que as pessoas saiam dali com curiosidade. Que olhem para aquelas imagens e tenham vontade de conhecer mais sobre Cabo Verde, sobre a sua cultura e sobre aquilo que está representado nas fotografias. Gostava que percebessem que esta diversidade é uma riqueza e que a exposição pudesse despertar a curiosidade de conhecer o outro.


Quanto ao futuro da exposição, o fotógrafo admite que gostaria de vê-la chegar a outros locais, sobretudo a Cabo Verde. No entanto, sublinha que essa decisão não depende de si. "Seria muito interessante levar esta exposição a Cabo Verde e, eventualmente, a outras cidades portuguesas. Já pensei em sugerir essa possibilidade, mas isso depende de acordos institucionais e das próprias características da exposição, que foi pensada para um espaço público e para fotografias de grande dimensão. A exposição pode ser visitada até 31 de agosto, mantendo-se instalada no espaço público como um convite à descoberta da cultura cabo-verdiana através do olhar de Ben do Rosário.

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