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A realizadora angolana Pocas Pascoal apresenta, esta quinta-feira, 6 de agosto, a curta-metragem Time to Change no Festival de Locarno, um dos festivais de cinema mais prestigiados da Europa. A exibição acontece durante a sessão Open Doors Short Films Screening, uma programação dedicada a obras que estimulam a reflexão sobre desafios globais contemporâneos, e reunirá cerca de 100 diplomatas de diferentes países.
A apresentação marca a estreia do filme na Suíça e acontece numa programação que usa o cinema como ponto de encontro para discussões sobre temas que atravessam fronteiras. Ao reunir representantes diplomáticos de dezenas de países em torno da exibição de uma curta-metragem, a sessão reafirma o papel do cinema como ferramenta de diálogo intercultural e de transformação social, num contexto em que a diplomacia e a cultura se cruzam para pensar o futuro comum.
Em Time to Change, Pocas Pascoal propõe uma reflexão sobre os impactos da colonização na relação entre os seres humanos e a natureza. A partir de uma linguagem visual poética e contundente, o filme mostra como a exploração da terra e do homem remonta a tempos coloniais, alertando para a urgência de mudar o rumo da pegada humana no planeta. A obra retrata como a colonização conduz à devastação, à desolação e à subjugação da fauna, da flora e das populações, ampliando o debate sobre memória, exploração dos territórios e justiça ambiental, temas que dialogam diretamente com a agenda internacional.
O convite para integrar a sessão Open Doors marca mais um capítulo da relação de Pocas Pascoal com o Festival de Locarno. Em 2014, o seu primeiro longa-metragem de ficção, Alda e Maria, participou no mesmo programa e conquistou sete prémios internacionais, consolidando a realizadora como uma das vozes mais relevantes do cinema lusófono contemporâneo. Doze anos depois, a angolana regressa ao festival com uma obra que reafirma o seu compromisso artístico com narrativas de forte dimensão política, histórica e humana.
A presença de Time to Change no Festival de Locarno reforça o reconhecimento internacional do trabalho de Pocas Pascoal e evidencia a crescente visibilidade do cinema africano em espaços de influência cultural e diplomática. A sessão demonstra como a linguagem cinematográfica pode estimular conversas urgentes sobre colonialismo, sustentabilidade, memória e futuro comum, temas que ultrapassam o campo artístico e chegam à agenda diplomática internacional.
Nascida em Luanda, Pocas Pascoal tornou-se a primeira mulher operadora de câmara de Angola antes de se mudar para França, onde se formou em montagem e trabalhou durante quinze anos como editora. A sua filmografia reúne documentários, ficções e instalações audiovisuais apresentadas em importantes bienais e festivais internacionais.
Em 2021, o documentário Blow recebeu o Prémio Árvore da Vida para Melhor Filme no IndieLisboa. Em 2024, a realizadora integrou o projeto GREENHOUSE, que representou Portugal na 60ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza. Paralelamente à circulação internacional de Time to Change, Pocas Pascoal desenvolve atualmente o longa-metragem Sarah Maldoror, dedicado à cineasta franco-angolana considerada uma das pioneiras do cinema africano.
A trajetória da realizadora, que soma reconhecimento em festivais de cinema e em bienais de arte, consolida-a hoje como uma das figuras mais relevantes do cinema africano de expressão portuguesa. O regresso a Locarno, doze anos depois de Alda e Maria, confirma essa continuidade: uma obra que nasce de Angola, passa pela França e chega a plateias de diplomatas de todo o mundo, sempre a partir de histórias marcadas por memória, território e justiça social.
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