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Há mais de duas décadas que o Festival MED ocupa a Zona Histórica de Loulé e transforma a cidade num ponto de encontro entre música, espaço público e circulação cultural. Em 2026, o festival regressa entre os dias 25 e 28 de junho para a sua 22.ª edição, mantendo uma relação que já ultrapassa a ideia de evento e se aproxima de uma experiência coletiva construída com a própria cidade.
Ao longo das suas edições, o MED foi consolidando uma forma particular de existir em Loulé. As ruas, praças, mercados e zonas de passagem deixaram de funcionar apenas como cenário e passaram a fazer parte da identidade do festival. Além dos concertos, o público circula pela cidade, descobre propostas artísticas, encontra gastronomias e atravessa diferentes palcos, através de uma programação que se espalha pelo centro histórico.
A presença de artistas africanos e lusófonos tem sido também uma das linhas de continuidade do MED, criando pontes entre Portugal, Angola, Cabo Verde, Brasil e as diásporas que habitam e atravessam o território. Em 2025, Cabo Verde foi país convidado do festival, numa edição que levou a Loulé música, gastronomia, artesanato, literatura, tradições e expressões culturais cabo-verdianas, a poucos dias da celebração oficial dos 50 anos da independência do arquipélago.
Em 2026, essa ligação mantém-se no cartaz, com nomes como Bonga, Lura, Fidju Kitxora e Mario Lucio & The Pan African Band. A eles juntam-se artistas como Seun Kuti & The Egypt 80, Tiken Jah Fakoly e Salif Keïta, que ampliam a presença africana no festival a partir do afrobeat, do reggae de intervenção e da música maliana. Longe de uma presença pontual, estes artistas ajudam a reforçar a forma como o MED tem inscrito a lusofonia na sua leitura das músicas do mundo, como território múltiplo, feito de deslocações, línguas, ritmos, reinvenções e pertença.
É essa relação entre território e cultura que volta a marcar a edição deste ano. O conceito Cidade MED reforça a ligação do festival ao quotidiano de Loulé, integrando novos espaços e ampliando a experiência para lá dos palcos principais. A programação passa também pelo Mercado Municipal, por zonas de gastronomia e street food, por espaços dedicados a artistas de rua, pelo MED Lounge e por uma nova entrada junto ao Largo de S. Francisco.
A proposta aponta para uma ideia de festival que se vive em movimento. O MED constrói-se entre concertos, conversas, sabores, performances, cinema, poesia, dança, artes plásticas, artesanato e encontros informais. A cidade torna-se parte ativa da programação, acolhendo diferentes públicos e criando uma dinâmica que envolve moradores, visitantes, comerciantes, artistas e agentes culturais.
Ao longo de 22 edições, o MED foi criando uma memória própria dentro da cidade, marcada pela presença de diferentes línguas, comunidades, ritmos e formas de expressão. O centro histórico, habitualmente associado à memória urbana e patrimonial, ganha durante estes dias uma outra camada de uso: torna-se espaço de escuta, circulação, descoberta e partilha.
A edição de 2026 mantém essa matriz, ao juntar programação musical, ocupação do espaço público e participação da cidade. O festival volta a apresentar-se como lugar de passagem entre culturas, mas também como uma forma de olhar para Loulé a partir da sua capacidade de acolher o mundo sem perder a relação com o território onde acontece.
O programa principal decorre entre 25 e 27 de junho. No dia 28, o Festival MED abre-se à cidade em formato Open Day, com acesso gratuito.
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