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A curta-metragem documental Guentis Fonte Lima, de Ricardo Leote, tem anteestreia oficial na 16.ª edição do KUGOMA – Fórum de Cinema de Moçambique, o mais antigo do país, organizado há mais de dez anos pela Associação dos Amigos do Museu de Cinema de Moçambique com o objetivo de promover realizadores moçambicanos e africanos emergentes. O festival decorre em Maputo entre 31 de agosto e 6 de setembro, e o filme entra numa sessão dedicada aos PALOP esta sexta-feira, 4 de setembro, às 18h00, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM).
A obra é uma produção da Nos Raiz, em parceria com a Insular Films, e segue as mulheres oleiras da Ilha de Santiago, em Cabo Verde. Nasceu no âmbito da 3.ª edição do Concurso Bodji, iniciativa do projeto Lidera Rural, promovido pela ONGD CERAI e pela Associação dos Amigos da Natureza, com financiamento da Cooperação Espanhola (AECID). Junta-se ainda o apoio institucional do Ministério da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto, do Instituto do Património Cultural (IPC) e da Associação Fonte Lima 238.
A olaria de Fonte Lima, no município de Santa Catarina, é um ofício de mulheres que trabalham o barro à mão, com técnicas transmitidas oralmente ao longo de gerações. O saber já tinha sido alvo de projetos de valorização por parte do Ministério da Cultura e da Câmara Municipal de Santa Catarina, entre os quais a criação de um Centro Interpretativo da Olaria de Fonte Lima. É esse território, e essas mulheres, que o documentário de Ricardo Leote coloca agora perante um público moçambicano e internacional.
Na mesma sessão, o público do KUGOMA vê ainda "Devagarim", a mais recente curta-metragem de Grace Ribeiro, e quatro curtas de animação de um minuto assinadas por coletivos de estudantes cabo-verdianos: "Lulas Viajantes", "As Cabrinhas", "O Nin" e "Pé d' Mot". A cineasta Samira Vera-Cruz coordena ainda, no festival, a formação do FilmLab Moçambique, laboratório para jovens realizadores dos PALOP e de Timor-Leste, e as produtoras Ekran Eventos e Parallax Filmes completam a delegação cabo-verdiana em Maputo.
Para a Nos Raiz e a Insular Films, a presença desta programação em Maputo - que junta realizadores emergentes, produções nacionais e trabalhos de animação feitos por estudantes - é a demonstração de que as histórias cabo-verdianas têm capacidade de circular internacionalmente.
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