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Gui Aly lançou recentemente THIS IS WHAT LOVE FEELS LIKE, o seu novo EP que reúne cinco temas originais escritos e compostos pelo próprio, com produção de Survival. O projeto, já disponível em todas as plataformas digitais, inclui "No Matter Where I Go", o single de apresentação que tem conquistado espaço nas principais rádios nacionais.
THIS IS WHAT LOVE FEELS LIKE assume-se como uma viagem pelas várias fases do amor. Entre momentos de celebração, dúvida, descoberta e crescimento, o artista constrói um trabalho que procura ser um porto seguro em tempos de incerteza, explorando as diferentes formas de amar através de sonoridades que vão do pop ao indie, passando pelo house e pelo R&B.
O lançamento surge num momento particularmente significativo da carreira do músico. Depois de vencer o EDP Live Bands em 2020, lançar o álbum de estreia White Walls e conquistar o reconhecimento de artistas internacionais como Noah Kahan e Alec Benjamin, Gui Aly prepara-se para regressar ao palco onde tudo começou. A 9 de julho, o cantor atua no palco WTF Clubbing do NOS Alive, num concerto que promete ser único.
À margem deste lançamento, conversámos com o artista sobre as emoções que deram origem ao EP, as influências que moldam a sua identidade musical, os preconceitos que ainda persistem na indústria e as expectativas para o seu regresso ao NOS Alive.
“Se sentimos medo, é porque estamos a fazer alguma coisa”
Gui Aly
Quando olha para o percurso que o trouxe até aqui, Gui Aly deixa uma mensagem simples ao jovem que sonhava um dia subir a estes palcos: "É possível". O artista recorda que, durante a infância, tinha dificuldades até em fazer apresentações na escola, algo que contrasta com a realidade atual, em que atua perante milhares de pessoas. O primeiro grande teste surgiu logo cedo, sendo o seu primeiro espetáculo no Coliseu dos Recreios, uma experiência que o obrigou a enfrentar muitos dos seus medos. Hoje, acredita que essas emoções fazem parte do processo. Para o músico, o medo não deve ser visto como um obstáculo, mas como um sinal de que se o sente, é porque está a construir algo. "Se sentimos medo, é porque estamos a fazer alguma coisa", reflete.
Essa visão sobre as emoções acabou por influenciar diretamente a construção de THIS IS WHAT LOVE FEELS LIKE. Inicialmente, o cantor tinha em mente um álbum com uma carga emocional mais melancólica, mas acabou por optar por um projeto que transmitisse mais esperança e positividade. Ainda assim, não quis ignorar os momentos mais difíceis que também fazem parte das relações humanas.
Ao longo do EP, Gui Aly percorre diferentes fases do amor através de várias sonoridades musicais, do pop ao indie com influências dos anos 90, passando pelo house e pelo R&B. Embora exista uma energia que atravessa grande parte do trabalho, o artista faz questão de mostrar que o amor também é feito de processos mais complexos e desafiantes. É precisamente essa ideia que ganha forma em "WHY", a última faixa do EP. Apesar de apresentar uma sonoridade mais melancólica, o tema surge como uma peça essencial da narrativa, representando momentos inevitáveis de dúvida, perda ou transformação que ajudam a construir relações mais sólidas.
As influências que dão vida ao universo sonoro do artista são tão diversas quanto as próprias músicas. Gui Aly descreve-se como uma "esponja", absorvendo referências de tudo aquilo que ouve e observa. Entre os nomes que destaca encontram-se artistas contemporâneos, mas também figuras incontornáveis como Lionel Richie, cuja capacidade de composição continua a inspirá-lo.
A essas referências juntam-se ainda as suas raízes angolanas e guineenses, bem como a influência da cultura portuguesa. Curiosamente, é no fado que encontra uma das maiores inspirações para a escrita, sobretudo pela sua profundidade emocional e pela capacidade de transmitir sentimentos complexos. "Costumo dizer que antes de cantor, sou escritor", afirma, explicando que é precisamente essa vertente que lhe permite transformar todas essas influências numa identidade artística própria.

Gui Aly | DR
Apesar da crescente diversidade da música portuguesa, Gui Aly reconhece que ainda existem preconceitos associados à forma como o público olha para artistas negros. O exemplo surge frequentemente em conversas do dia a dia. "Quando digo que sou cantor, perguntam logo se sou rapper", conta.
Longe de encarar estas situações como uma barreira, o músico prefere vê-las como um desafio. Para si, cada passo dado representa também uma oportunidade para abrir caminho a outros artistas e contribuir para uma indústria mais diversa. O objetivo passa por continuar a afirmar-se através da sua música e ajudar a desconstruir ideias pré-concebidas sobre os géneros musicais que um artista negro pode ou não representar.
O próximo capítulo dessa caminhada será escrito no NOS Alive. No regresso ao festival, Gui Aly promete um espetáculo mais ambicioso, acompanhado por banda e pensado especificamente para aquele contexto. O artista revela que não gosta de repetir fórmulas e procura adaptar cada concerto ao público que tem à sua frente, criando experiências únicas e irrepetíveis.
A promessa é de uma maior proximidade entre palco e audiência, numa atuação que pretende celebrar o novo EP, mas também o percurso que o trouxe até aqui desde que pisou o palco pela última vez em 2022.
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