Lançamentos musicais da semana

November 6, 2026
Lançamentos musicais da semana 6 de novembro
Gisela Mabel | DR

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Gisela Mabel abre caminho para o seu primeiro álbum com “Transatlântica”, Kady e Bia Ferreira celebram a ancestralidade em “Sakedu” e Mariela transforma emoções extremas em trap no novo disco Estado Limite. A seleção da LDS by BANTUMEN desta primeira sexta-feira de novembro reúne ainda LilBoy Bruce, a Força Suprema, Yasmine, Zara G, Gasso Franco, Adi Cudz e Full K, em dez faixas que passam pelo jazz, pelo rap, pelo trap e pelas sonoridades afro-lusófonas, entre a memória das travessias atlânticas, a afirmação da identidade negra e as relações pessoais.


A pianista luso-angolana Gisela Mabel abre a lista com “Transatlântica”, primeiro avanço do seu álbum de estreia. Nascida no Algarve e a viver em Lisboa, a compositora parte da ideia de que o oceano guarda a memória de milhões de vidas que atravessaram as suas águas, umas obrigadas a abandonar as suas terras, outras movidas pela esperança de encontrar melhores condições de vida. A composição acompanha simbolicamente essas travessias, entre o peso da história, a luta de quem parte e a possibilidade de recomeçar, e cruza a formação clássica da artista com influências do jazz e de matrizes rítmicas africanas e brasileiras.


O single chega depois de Álbum de Retratos, o EP editado em 2024 e distinguido como Melhor Álbum de Jazz do Ano pelos SoloPiano Awards. Desde então, Gisela Mabel tornou-se a primeira artista portuguesa a integrar a coletânea oficial do Piano Day, criado pelo pianista alemão Nils Frahm, e passou por palcos como o Ageas Cooljazz, o NOS Alive e o Piano City Milano. O novo trabalho abre outra etapa de um percurso em que o piano serve também para explorar a relação entre memória, identidade e herança cultural.


A ligação entre África e a diáspora continua com “Sakedu”, a colaboração entre a cabo-verdiana Kady e a cantora e ativista brasileira Bia Ferreira. A canção celebra a ancestralidade e a capacidade de transformar ideias e sonhos em realidade, com a união entre mulheres negras no centro da mensagem. As duas artistas partem de percursos distintos, mas encontram-se numa reflexão sobre representatividade, memória coletiva e o direito de cada pessoa reivindicar o seu lugar, numa canção que, mais do que recordar as gerações anteriores, propõe reconhecer a força dessa herança na construção do presente.


LilBoy Bruce junta-se à seleção com “SHAKE AM”. O artista de origem guineense tem vindo a construir uma identidade musical marcada pelo contacto com diferentes culturas e sonoridades africanas e, depois de trabalhos como Processo, continua a explorar novas linguagens e a procurar públicos para lá das fronteiras da música lusófona.


A quarta escolha pertence a Mariela, que acaba de editar Estado Limite, um álbum de dez faixas em que a intensidade emocional se transforma em matéria musical. A artista angolana, radicada em Lisboa, cruza rage trap, Jersey drill, R&B e sonoridades afro-alternativas para falar de autoestima, desejo, raiva, insegurança e vulnerabilidade. O projeto nasceu depois de um período de bloqueio criativo, como uma forma de recuperar a confiança e a liberdade de experimentar, e cada faixa corresponde a um estado emocional, numa proposta que a cantora define como trap híbrido e emocional.


Para esta edição da LDS, a escolha recai sobre “GROSSA PRA CRL”, a colaboração com Cozzy2x. O tema integra um disco que conta também com a participação de Mil1 e com produções de Nara808, DiVino!, Helmmer Davino e Mulak, entre outros. Depois de Marte e Mergulhei, Mariela apresenta um trabalho que põe as contradições da experiência feminina no centro da sua identidade artística, sem suavizar os sentimentos que lhes dão origem.


No rap angolano, a Força Suprema regressa com “Mama Sume”, faixa-título de um EP de três músicas lançado a 3 de novembro, dia em que NGA completou 44 anos. O nome recupera o grito de guerra dos Comandos do Exército Português, associado à coragem, à união e à disponibilidade para o sacrifício, e o projeto volta a reunir as referências à resistência e à perseverança que atravessam o percurso do grupo no hip-hop lusófono.


A seleção prossegue com Yasmine, que apresenta “Mon Chéri” e mantém na lista as sonoridades românticas afro-lusófonas, e com Zara G, dos Wet Bed Gang, que regressa com “Icey” e continua a desenvolver um percurso a solo ligado ao rap e ao trap contemporâneos. Gasso Franco junta-se com “morreu sociedade”, Adi Cudz traz “Bô É Di Meu” e Full K fecha o alinhamento com “Prejuízo”.


As dez escolhas estão reunidas na playlist LDS by BANTUMEN, disponível no Spotify e atualizada todas as semanas.

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